O caso do Banco Master é de uma gravidade absoluta.
Tanto é que, assim como o escândalo Epstein, nos Estados Unidos, há muita gente
poderosa querendo abafá-lo, porque implicada até o último CDB com Daniel
Vorcaro, o banqueiro das luzes (no cabelo).
A PF, no entanto, não quer largar esse osso duro de
roer, pelo bem geral da nação. No fim de semana, aspectos importantes da
investigação transpiraram por meio do jornalista Lauro Jardim.
O resort Tayayá, que no papel pertencia aos irmãos
de Dias Toffoli, permanece no foco da PF.
O primo do ministro, Mario Umberto Degani, fundador
do resort, seria “a chave para se abrir muitas portas dessa história nebulosa”,
diz o jornalista.
Não faltam nuvens, e organizo, aqui, a sequência do
que Lauro Jardim publicou para o leitor do Metrópoles entender o tamanho da
encrenca que se avizinha.
Depois que uma parte sua foi vendida ao cunhado de
Vorcaro, Fabiano Zettel, curioso misto de pastor e fisiculturista, o Tayayá
passou a ter como proprietário — sempre no papel — um advogado da J&F, o
conglomerado dos irmãos Batista que teve uma multa judicial de R$ 10,3 bilhões
cancelada por Dias Toffoli.
No meio dos rolos de compra e venda do resort,
estava uma empresa chamada Maridt, que oficialmente pertence aos irmão de Dias
Toffoli.
“A Maridt vendeu em 2025 sua parte no resort Tayayá.
Possuía um terço do negócio. Tinha como sócio o pastor Fabiano Zettel. Há uma
série de dúvidas que investigações sobre a Maridt podem esclarecer”, escreve Lauro
Jardim.
As dúvidas estão longe de ser singelas: a empresa
dos Toffoli prestaria consultorias? Teria contratos com escritórios de
advocacia dos quais recebia pagamentos mensais?
De acordo com o jornalista, “há suspeitas de que a
resposta é sim para ambas a perguntas. A quem exatamente a Maridt transferia
diretamente o dinheiro que recebia por esses trabalhos é o que se vai querer
saber”.
Outra notícia aponta para uma fonte de pesadelos em
Brasília: os cinco celulares de Vorcaro, um deles com “segurança pesada”, que
estavam sob custódia da PF e que, a mando de Dias Toffoli, foram enviados para
ser guardados não a sete, mas a oito chaves na PGR, órgão da confiança do
ministro.
Segundo Lauro Jardim, em um desses celulares “há ao
menos uma mensagem do pastor Fabiano Zettel, seu braço direito para transações
heterodoxas, pedindo que alguns pagamentos fossem liberados, pois estava sendo
cobrado insistentemente por uma autoridade da República”.
Que autoridade seria essa?
“Alguns ministros do STF já foram alertados que o
correr das investigações do caso Master vai respingar com força na Corte”,
lê-se na coluna do meu ex-colega de revista.
Respingar com força pode ser traduzido como
enlamear.
Mario Sabino - Metrópoles

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