O setor responsável pela divulgação dos resultados
do PIB (Produto Interno Bruto) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) vem sofrendo baixas de pessoal, o que motivou o Assibge (Sindicato
Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e
Estatísticas) a se reunir com a Secretaria-Geral da Presidência da República
para debater o impacto da atual conjuntura do órgão na produção de dados
oficiais. As informações são da CNN.
A pouco mais de um mês da divulgação do PIB de 2025,
a coordenadora das Contas Nacionais Rebeca Palis foi exonerada do cargo. O
setor é responsável pela revisão de metodologias de cálculo, a incorporação de
novas bases de dados e a atualização de bases históricas do Novo Ano Base do
Sistema de Contas Nacionais.
Rebeca foi substituída por Ricardo Montes de Moraes,
servidor do IBGE desde 2005. Em nota enviada à CNN Brasil, o órgão informou que
a Diretoria de Pesquisa está dando andamento, de forma dialogada, ao cronograma
de transição entre a atual e o futuro coordenador, garantindo o cumprimento
integral do Plano de Trabalho e plenamente o cronograma de divulgações para o
ano de 2026.
“Uma mudança de coordenação em pleno curso desse
processo deveria ter sido conduzida de forma mais cuidadosa. A ASSIBGE-SN
entende que, embora seja prerrogativa da administração substituir titulares de
cargos de chefia, tais mudanças devem, necessariamente, priorizar a
continuidade dos programas de trabalho e a preservação institucional”, diz a
Assibge em nota.
Durante a reunião com a Secretaria-Geral da
Presidência da República, os representantes da Assibge alegaram que a saída dos
servidores do IBGE de posições estratégicas abre espaço para questionamentos
sobre a credibilidade dos números produzidos pelo órgão. Segundo a entidade, a
pasta comandada por Guilherme Boulos recepcionou a documentação sobre os fatos
relatados e solicitou mais conteúdo para aprofundar as questões.
“Diferentes veículos de notícias passaram a
repercutir, com frequência e a partir de diferentes interesses, as crises da
gestão, o que, de forma acumulada, poderá fortalecer narrativas duvidosas sobre
os indicadores produzidos pelo IBGE”, afirma o sindicato em nota.
Além do setor de Contas Nacionais, a Assibge
verificou exonerações na Gerência de Sistematização de Conteúdos
Informacionais. No início de 2025, Ivone Lopes Batista e Patricia do Amorim
Vida Costa também deixaram seus cargos de diretora e diretora-adjunta da
Diretoria de Geociências do IBGE.
A mudança nos cargos de direção foi acompanhada da
decisão do Ministério do Planejamento e Orçamento de suspender temporariamente
a iniciativa da Fundação de Apoio à Inovação Científica e Tecnológica do IBGE
(IBGE+). Na avaliação do sindicato, a criação do IBGE+ gerou uma crise
institucional porque o órgão foi implementado “sem o devido debate e de forma
pouco sustentável”.

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