O governo de Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu
avançar na abertura do mercado indiano para aves e ovos durante a visita
oficial a Índia. A comitiva voltou de Nova Déli sem um dos principais
resultados esperados da viagem.
Segundo integrantes do governo e do setor ouvidos
pela Folha, a negativa indiana ocorreu porque o Brasil não aceitou importar
produtos como romã, lentilha e lácteos do país asiático, travando o acordo.
O Brasil é o maior exportador mundial de carne de
frango, com cerca de 35% do mercado global, de acordo com o Ministério da
Agricultura. A abertura do mercado indiano era considerada estratégica, já que
o país é o mais populoso do mundo e tem o frango como principal fonte de
proteína animal, devido a restrições culturais e religiosas ao consumo de carne
bovina.
A viagem ocorreu a convite do primeiro-ministro
Narendra Modi, e incluiu uma cúpula sobre inteligência artificial e encontros
de Estado. O agronegócio estava entre as prioridades da agenda.
As tratativas haviam começado em outubro, com a
visita do vice-presidente Geraldo Alckmin, e ganharam reforço com a presença de
empresários do setor de proteínas, acompanhados pela ApexBrasil.
A decisão indiana afeta a estratégia brasileira de
diversificação de mercados, hoje fortemente concentrada na China. Em 2024, o país
asiático suspendeu por cerca de seis meses a importação de aves brasileiras
após um caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul, mesmo após o Brasil
recuperar rapidamente o status sanitário. Com a reabertura do mercado chinês,
as exportações de frango cresceram 17,5% no mês seguinte, segundo a S&P.

Nenhum comentário:
Postar um comentário