O número de matrículas no ensino médio no Brasil
caiu 5,3% entre 2024 e 2025, atingindo o menor patamar em uma década, segundo
dados do Censo Escolar, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Ministério
da Educação (MEC).
A redução foi concentrada na rede pública, enquanto
o ensino privado registrou crescimento de 0,6%. Ao todo, o ensino médio soma
atualmente 7,3 milhões de alunos.
O São Paulo teve peso decisivo na queda:
dos 425 mil alunos a menos no ensino médio público em todo o país, 259 mil
(60%) são da rede estadual paulista.
Segundo o MEC, a redução se explica por dois fatores
principais: diminuição da população jovem e melhora no fluxo escolar. “Os
alunos estão repetindo menos, o que reduz a distorção idade-série”, afirmou o
ministro Camilo Santana. A proporção de estudantes atrasados caiu de 27,2%
em 2021 para 14% em 2025.
Apesar disso, o censo aponta que houve 359 mil
jovens a menos entre 15 e 17 anos matriculados — faixa etária considerada
adequada para o ensino médio. Especialistas alertam que parte da queda pode
estar ligada à evasão escolar, sobretudo entre os mais pobres.
Dados do Todos pela Educação mostram que,
em 2024, apenas 82,8% dos jovens de 15 a 17 anos estavam na escola. Entre os
20% mais pobres, o índice era de 72%.
O governo aposta em programas como o Pé-de-Meia,
lançado em 2024, que oferece incentivo financeiro para permanência na escola e
custa cerca de R$ 12 bilhões por ano, embora os resultados ainda não estejam
consolidados.
No total da educação básica, o Brasil passou de 47
milhões de estudantes em 2024 para 46 milhões em 2025, uma redução de 1 milhão
de matrículas. Em contrapartida, o ensino em tempo integral cresceu 11% na rede
pública entre 2024 e 2025, alcançando 8,8 milhões de alunos, o equivalente a
19% do total.
Especialistas defendem maior detalhamento dos dados,
sobretudo em relação a São Paulo, onde o governo estadual afirma que parte da
queda se deve à correção de duplicidades no cadastro de matrículas.

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