A Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN), que deveria ser o principal palco para o livre debate de ideias no
estado, parece estar se transformando em um ambiente hostil ao pensamento
divergente. O caso do professor Tassos Lycurgo, do curso de Direito, é um
sintoma alarmante dessa realidade. Alvo de um abaixo-assinado que pede sua
expulsão, além de uma campanha de difamação, xingamentos e até mesmo ameaças de
morte nas redes sociais, o professor se tornou o exemplo mais recente de uma
perseguição ideológica dentro da academia.
O que se observa não é um debate de ideias ou uma
discordância acadêmica, mas uma tentativa explícita de silenciar e expurgar um
indivíduo com base em suas convicções, notadamente conservadoras e cristãs. A
universidade, em vez de proteger a pluralidade e garantir que o contraditório
seja exercido com respeito, parece assistir passivamente enquanto um de seus
docentes é intimidado. A situação expõe uma perigosa inversão de valores, onde
a "defesa da diversidade" paradoxalmente não inclui a diversidade de
pensamento.
A existência de um abaixo-assinado para a demissão
de um professor concursado, não por um crime ou por má conduta profissional,
mas por suas opiniões, é um ataque direto à liberdade de cátedra e à liberdade
de expressão. Quando a resposta ao pensamento de alguém se transforma em
ameaças, o diálogo acadêmico morre e dá lugar à barbárie. A UFRN, ao permitir
que esse clima de caça às bruxas se instale, falha em seu papel fundamental de
ser um espaço seguro para todos, independentemente de suas posições políticas
ou religiosas.
Este episódio lamentável não é apenas sobre Tassos
Lycurgo. É sobre o futuro da própria universidade. Se a instituição não
defender de forma intransigente o direito de seus membros de expressarem suas
ideias sem medo de retaliação ou ameaças, ela deixará de ser um centro de conhecimento
para se tornar uma mera trincheira ideológica. A comunidade acadêmica e a
reitoria precisam refletir urgentemente sobre que tipo de ambiente estão
construindo e se a UFRN ainda é, de fato, um lugar para todos.

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