O valor da produção de leite no Rio Grande do Norte
saltou de R$ 538 milhões para R$ 981 milhões entre 2020 e 2024, segundo
informações da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) divulgada pelo IBGE. Com um
crescimento em volume de 2,4% frente a 2023, o estado atingiu a marca de 394,5
milhões de litros anuais em 2024 — uma média diária de 1,09 milhão.
De acordo com o IBGE, o leite responde por 52,86% do
total do valor de produção dos produtos da pecuária potiguar. O município de
Caicó, no Seridó, se manteve como maior produtor de leite do estado. Em 2024,
foram 41 milhões de litros produzidos no município, um aumento de 20,53% em
comparação com 2023.
Enquanto a produção de leite cresceu 2,4%, o número
de vacas ordenhadas caiu no estado. Foram contabilizadas 259,5 mil vacas
ordenhadas em 2024, 2,7% a menos do que em 2023.
Isso foi observado também a nível nacional, com
crescimento de 1,4% na produção de leite, atingindo a marca recorde de 35,7
bilhões de litros e movimentando R$ 87,5 bilhões, e queda de 2,8% no número de
vacas ordenhadas no país. Em 2024, mesmo com menos vacas ordenhadas, houve alta
na produção nacional frente a 2023. E o valor da produção do leite aumentou
9,4% entre os dois anos.
Para o IBGE, os dados revelam um crescimento
contínuo na produtividade brasileira que, com incremento de 4,3%, chegou a
2.362 litros/vaca/ano. O resultado é reflexo do investimento do setor em
aprimoramento genético e manejo do rebanho, aliado a um processo de otimização
e reorganização da base produtiva.
Incentivo ao produtor e desafios
A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio
Grande do Norte (Faern) avalia como muito positivo o desempenho da produção
leiteira no RN entre 2020 e 2024. “Entre os fatores que explicam esse avanço
estão a expansão da bacia leiteira, com maior participação de pequenos e médios
produtores, e a resiliência dos produtores, que mesmo diante das dificuldades
conjunturais conseguiram manter a atividade e aproveitar a demanda crescente
por derivados lácteos”, diz a entidade, em nota.
Além disso, a Faern destaca que a assistência
técnica, como a ATeG, do Senar, contribui com os produtores na gestão da
propriedade e no manejo alimentar e reprodutivo, para melhorar a eficiência
produtiva. O apoio governamental, por meio de programas de compra institucional
e incentivo às cooperativas e agroindústrias (projeto RN Sustentável), também é
citado como fator para incremento da produção.
Segundo a Secretaria da Agricultura, da Pecuária e
da Pesca (Sape-RN), o estado tem políticas de incentivo à pecuária leiteira,
principalmente para o pequeno agricultor, para que ele se mantenha em sua
região com ou sem estiagem. Essas políticas contribuíram para o crescimento da
produção leiteira nos últimos anos, na avaliação da pasta.
Um dos incentivos é o programa de distribuição de
sementes, com a distribuição do sorgo para ração animal e a distribuição de
feno por meio da Emparn (Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN). Além disso,
conforme a Sape-RN, o crescimento das queijeiras incentiva a pecuária de leite.
A Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e
da Assistência Social tem ainda o Programa do Leite Potiguar, e a Secretaria de
Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar do Rio Grande do
Norte conta com incentivo para os pequenos produtores da agricultura familiar.
“É importante reconhecer, no entanto, que o setor
enfrenta uma crise nacional, marcada por custos elevados e margens estreitas.
No Nordeste, os impactos são menores, mas ainda exigem atenção e medidas de
apoio para garantir a sustentabilidade da atividade”, aponta a Faern.
A entidade cita como dificuldades enfrentadas pelos
produtores de leite potiguares os custos de produção elevados, clima irregular,
com períodos de seca que dificultam a produção, e o acesso ainda limitado ao
crédito rural.
A federação aponta ainda as principais cidades
produtoras, conforme cada região: Oeste Potiguar: Mossoró, Apodi e Caraúbas;
Seridó: Currais Novos e Caicó; e Agreste: Santa Cruz e municípios vizinhos,
além do Alto Oeste: Pau dos Ferros e Umarizal.
- Principais
municípios produtores de leite no RN em 2024 (em litros)
1.
Caicó – 41 milhões
2.
Jucurutu – 28,3 milhões
3.
Jardim de Piranhas – 15,3 milhões
4.
Santana do Matos – 12,3 milhões
5.
Jardim do Seridó – 11,9 milhões
Fonte: IBGE

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