Os sindicatos ligados aos trabalhadores da educação
e da administração direta do Rio Grande do Norte estudam entrar com uma ação na
Justiça Estadual para cobrar os juros pelo atraso no pagamento do 13º salário
pelo Governo do Estado. O benefício, referente ao ano de 2025, deveria ter sido
creditado na conta dos servidores, aposentados e pensionistas no último dia 9
de janeiro. A conclusão do pagamento, contudo, só foi feita na última
terça-feira (13).
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do
Serviço Público da Administração Direta do Estado (Sinsp/RN), Janeayre Souto,
esclarece que a entidade deve dialogar com sua assessoria jurídica até a
próxima semana para reivindicar o pagamento dos juros junto à Justiça Estadual.
Segundo ela, “o governo rasgou a Constituição Federal, a Constituição Estadual
e o Regime Jurídico Único” e o Sindicato está disposto a levar o caso até às
instâncias superiores, caso seja necessário.
Em dezembro de 2025, o Governo do Estado informou
que o 13º salário de todos os servidores seria pago no dia 9 de janeiro. A data
já refletia atraso no pagamento do benefício, que deve ser pago em duas
parcelas até 20 de dezembro. Na época, a Justiça determinou, excepcionalmente,
que o pagamento dos servidores da segurança pública fosse realizado até
dezembro.
Já no dia 9 de janeiro, apenas os servidores ativos
e parte dos aposentados e pensionistas foram contemplados pelo pagamento do
benefício. No último sábado (10), o Governo informou que pagaria o restante dos
beneficiados até a última segunda-feira (12), mas o prazo foi novamente
descumprido. Somente nessa terça-feira (13), ocorreu a conclusão do pagamento.
Janeayre Souto destaca que o atraso gerou diversos
impactos aos trabalhadores e muitos precisaram pedir ajuda financeira aos
familiares pela demora no pagamento. “Essa ação não pode ser tratada com ar de
normalidade. Quem vai pagar os juros acumalados de todos esses dias de atraso?
Vai ser o culpado, o Estado, ou serão as vítimas, os servidores aposentados e
os pensionistas?”, completa.
A coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores
da Educação do Rio Grande do Norte (Sinte/RN), Fátima Cardoso, repercute uma
visão semelhante. De acordo com ela, a realização de uma ação judicial é
“inevitável” e a expectativa é que o Sindicato realize uma assembleia geral
para aprovar a medida no próximo mês. A estimativa da entidade é de que cerca
de 18 mil trabalhadores da educação, entre ativos e aposentados, foram
impactados pelos atrasos no pagamento do décimo terceiro.
Assim como o Sinsp/RN, a coordenadora observa que o
Sinte/RN vai ingressar com uma ação judicial cobrando os juros e a correção
monetária pelo atraso junto à Justiça do Estado. “Temos a independência e a
autonomia para tomar as decisões que se mostram pertinentes. No caso da ação
judicial, é inevitável, pois a conclusão do pagamento só ocorreu hoje
[terça-feira]”, completa.
Mesmo sem uma confirmação sobre a judicialização do
caso, o Sindifern chegou a se pronunciar por meio de nota na última terça-feira
(13) sobre os atrasos. “Infelizmente, este episódio revive um passado recente
de triste memória, marcado por atrasos salariais e insegurança financeira, que
tanto sofrimento causou aos servidores públicos do Estado, e que a sociedade
potiguar acreditava definitivamente ter superado”, destacou a entidade.
O Sindsaúde, também se manifestou sobre a situação
na última segunda-feira (12), criticando o silêncio do Governo do Estado para
justificar a morosidade nos pagamentos. “A situação representa mais um episódio
de descaso e desrespeito com trabalhadores e trabalhadoras que dedicaram
décadas de suas vidas ao serviço público e que hoje dependem desse recurso para
garantir condições mínimas de dignidade”, disse.
Já na última terça, os servidores da saúde
realizaram uma mobilização em frente à Governadoria para conseguir uma reunião
com representantes do governo. “O movimento repudia a exclusividade de
pagamento que foi feita apenas para os militares e exige, principalmente, a
paridade de pagamento entre os ativos, aposentados e pensionistas”, disse o
Sindsaúde em nota.

Nenhum comentário:
Postar um comentário