O projeto para a construção de uma rampa de acesso à
Praia da Redinha deve ser finalizado pela Secretaria de Meio Ambiente e
Urbanismo (Semurb) de Natal até esta sexta-feira (16). De acordo com a
secretária-adjunta da pasta, Eudja Mafalda, o equipamento vai ser instalado
próximo à área de enrocamento da Praia da Redinha para promover maior
acessibilidade e segurança à população.
A decisão de construir uma rampa na região integra
uma série de medidas definidas pela Prefeitura do Natal durante reunião na
última sexta-feira (9) entre diferentes secretarias da gestão, incluindo
Semurb, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) e a Secretaria
Municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovações (Sepae).
O objetivo do encontro foi definir ações para
melhorar a região do entorno da Redinha. Além da rampa, estão previstos o
reforço da iluminação pública, a ampliação da limpeza urbana, com atuação da
Urbana até as 22h, o ordenamento do trânsito com equipes da Secretaria de
Mobilidade Urbana (STTU), além do fortalecimento da segurança, com apoio da
Guarda Municipal e solicitação de reforço da Polícia Militar e do Corpo de
Bombeiros.
Eudja Mafalda explica que a equipe de técnicos da
Semurb já iniciou os estudos para analisar a viabilidade ambiental da obra da
rampa, com base na legislação ambiental vigente e nas normas de acessibilidade.
O objetivo é definir critérios que garantam a segurança do equipamento e da
população. Atualmente, aponta, a principal preocupação é que os visitantes
comecem a mexer nas pedras soltas do local e isso provoque acidentes.
“Estamos vendo viabilidade, pois mesmo sendo uma
rampa simples, precisamos ter cuidado. Vamos definir bem os materiais para
serem resistentes, por exemplo, pois essa rampa será alvo de um uso intenso e
vai ter contato com a água. Então, estamos avaliando todas essas questões, mas
o projeto está sendo elaborado”, aponta a secretária-adjunta.
Em relação ao custo da obra, ainda não há uma
definição por parte da Prefeitura. De acordo com Eudja Mafalda, o cálculo do
orçamento só será possível após a conclusão do projeto, mas a ideia é buscar o
menor custo possível sem comprometer a qualidade dos serviços.
A secretária-adjunta explica que um esboço já foi
realizado e, nesta terça-feira (13), serão discutidos os aspectos para promover
acessibilidade na rampa. Posteriormente, uma nova reunião entre as secretarias
municipais será realizada.
A definição sobre como será contratada a empresa que
vai executar a obra deve ser liderada pela Secretaria de Concessões, Parcerias,
Empreendedorismo e Inovações (Sepae). O titular da pasta, Arthur Dutra, aponta
que ainda não é possível adiantar informações sobre o processo, mas reforça que
a pasta está acompanhando de perto as intervenções na Redinha.
A reportagem da Tribuna do Norte questionou a Semsur
sobre o início das intervenções que devem ser realizadas pela pasta, incluindo
o reforço na iluminação pública, mas não recebeu resposta até o fechamento
desta edição.
Mercado
Enquanto as medidas de melhoria são decididas, a
população já tem aproveitado o entorno do Mercado da Redinha para tomar banho e
consumir as comidas típicas vendidas no equipamento. Esse é o caso da
cabeleireira Luana, de 40 anos, que costuma visitar a praia nas segundas-feiras
em que está de folga.
Ao contrário de muitas pessoas que passaram a
visitar o local após viralizarem imagens de banhistas na região, ela conta que
sempre gostou de frequentar a Redinha com o marido, Hermenegildo Neto, de 37
anos: “Quando viralizou, meu esposo me disse ‘olha, estão indo para o lugar que
a gente sempre vai’”, comenta.
De acordo com ela, além do mar limpo e da
tranquilidade da praia, a abertura temporária do Mercado da Redinha contribuiu
para a experiência positiva na região. “Quando a gente vinha aqui, o Mercado
estava fechado. Ficava quase sem ninguém aqui. Agora está bem melhor. Se a
gente precisar de uma água, ou outra coisa, está bem aí”, relata.
Quem também resolveu aproveitar a vista do Mercado
da Redinha foi Vera Lúcia, de 43 anos, e o esposo, Márcio Daniel, de 40 anos,
ambos de Natal. Ao lado dos filhos e do marido, a natalense compartilha que
nunca tinha visitado o novo equipamento: “Depois da propaganda que eu vi nas
redes sociais, decidimos vir dar uma passeada com as crianças. A experiência
está sendo muito boa, bem divertida”, compartilha.
Para a comerciante Ivete Januário, de 67 anos, que
herdou da mãe a arte de fazer ginga com tapioca, a região é “altamente
importante para o povo da zona Norte ter lazer e um lugar acolhedor”.
Embora já tenha observado melhora nas vendas nos
últimos dias, acredita que o ideal seria estender o horário de funcionamento do
Mercado para alcançar a população que tem frequentado a praia à noite.
O mercado foi aberto temporariamente no último dia
22 de dezembro de 2025 e funciona das 7h às 19h. “[Seria interessante estender]
até às 21 horas, pelo menos, para as pessoas que chegarem mais tarde poderem
tomar um cafezinho com a ginga com tapioca”, comenta Ivete Januário, que também
reforça a importância do equipamento permanecer aberto.
Em julho de 2025, a Justiça Federal concedeu uma
decisão liminar que determina a realização de Consulta Prévia, Livre e
Informada (CLPI) à comunidade tradicional local sobre o equipamento, o que
estacionou o processo de concessão. Segundo Arthur Dutra, o cronograma para
início da consulta deve ser entregue por representantes dos povos tradicionais
à Prefeitura até o próximo dia 15 de janeiro. “Especificamente sobre a
concessão, a análise da estruturação, os estudos e a minuta do edital do
contrato está sendo finalizada pela Procuradoria Geral do Município”, explica.

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