O governo Lula já se movimenta nos bastidores para
tentar frear mudanças no PL Antifacção, projeto que endurece o combate ao crime
organizado e volta à Câmara após o recesso. O motivo do incômodo tem nome e
sobrenome: Guilherme Derrite, relator da proposta e aliado do governador de São
Paulo, Tarcísio de Freitas.
Assessores do Ministério da Justiça admitem que
Derrite está insatisfeito com o texto aprovado pelo Senado e pretende mexer no
projeto. Traduzindo: o deputado quer reforçar o enfrentamento às facções, algo
que deixa o Planalto em alerta máximo. Por isso, o governo já articula uma
força-tarefa para tentar retirar a relatoria das mãos do parlamentar.
A leitura no Palácio do Planalto é clara: se Derrite
continuar no comando do texto, a oposição pode avançar numa legislação mais
dura contra o crime organizado. A reação petista deve repetir o velho roteiro —
acusar a direita de “enfraquecer a Polícia Federal” e até de “proteger
facções”, enquanto o governo posa de salvador da pátria.
Outra cartada prevista é ainda mais conhecida: colar
o projeto a aliados de Jair Bolsonaro e espalhar o discurso de que haveria
risco de interferência estrangeira no Brasil. Tudo para desviar o foco do
essencial — o medo do governo Lula de perder o controle da narrativa sobre
segurança pública, tema em que a esquerda historicamente patina.

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