domingo, 25 de janeiro de 2026

Nove hotéis da Via Costeira geram 1.700 empregos diretos, aponta ABIH

 


A Via Costeira, um dos principais polos turísticos de Natal, concentra uma rede hoteleira que sustenta parte relevante da economia do turismo na capital. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no RN (ABIH-RN) estima que, dos 11 hotéis da região, nove empreguem pelo menos 1.700 trabalhadores diretos. Essas unidades, segundo a entidade, oferecem 1.900 apartamentos e 6.700 leitos. Além disso, um levantamento da TRIBUNA DO NORTE junto a cinco empreendimentos aponta que, juntos, eles somam aproximadamente R$ 192 milhões de faturamento anual. Embora os números não abarquem todos os estabelecimentos e ainda não exista um estudo consolidado sobre o impacto econômico total do trecho, eles dimensionam a importância da via para o turismo potiguar.

Entre retomadas e ampliações de operações, como a reabertura do Costeira Palace após reformas de ao menos R$ 130 milhões, o setor destaca a Via Costeira como ativo estratégico, mas empresários e executivos relatam que a insegurança jurídica e a subutilização do espaço têm travado novos investimentos e limitado o aproveitamento turístico e de lazer do trecho.

O presidente da ABIH-RN, Edmar Gadelha, aponta que além do destaque na hotelaria, a Via Costeira exerce um papel decisivo na busca por maior competitividade do Estado na região Nordeste. “Hoje, como principal polo do setor, com grandes hotéis, a Via Costeira permanece sendo um pilar estratégico da economia potiguar, atraindo investimentos de alto impacto como o recente Costeira Palace”, aponta.

O Costeira Palace Beach Resort retomou as operações em Natal em janeiro do ano passado. O diretor comercial e de marketing do Ocean Palace Beach Resort & Bangalows e do Costeira Palace, Ruy Gaspar, aponta que atualmente o empreendimento emprega 350 trabalhadores diretos.

Já o Ocean Palace Resort, pertencente ao mesmo Grupo, emprega cerca de 450 profissionais. De acordo com o diretor, um outro terreno na região chegou a ser oferecido para a empresa, mas as atuais discussões jurídicas para as construções no local têm travado a perspectiva de novos investimentos. “Não temos segurança para comprar [um novo terreno], porque não sabemos se conseguiríamos fazer [um novo empreendimento]. Sem isso, não há geração de emprego e impostos. Fica tudo atrasado”, completa.

O empresário Manoel Andrade, fundador e líder do El Aram Imirá Beach Resort e El Aram Natal Mar Hotel, ambos localizados na Via Costeira, aponta que o grupo também chegou a receber propostas para novos investimentos no local. Ele observa, contudo, que não teve interesse pelo mesmo motivo: insegurança jurídica. Atualmente, os dois hotéis liderados pelo empresário empregam 240 trabalhadores diretos e aproximadamente 500 indiretos.

O membro do conselho do Grupo Wish, José Henrique Azeredo, traz uma perspectiva semelhante. Na avaliação dele, a Via Costeira é um importante ativo econômico gerador de empregos. Apenas o Wish Natal é responsável por 195 empregados diretos, além de 55 empregados indiretos.

O representante do grupo ressalta, por outro lado, que a via é subutilizada do ponto de vista turístico e de lazer. “A via hoje é excessivamente utilizada como faixa de passagem de carros e estagnada, subutilizada do ponto de vista turístico ou de lazer. Não há usufruto das praias e calçadas, não há acesso seguro para a costa da praia, limitando sua utilização aos aventureiros”, completa.

PGE responde a ação e defende Costeira Parque

Em paralelo ao potencial turístico, os embates jurídicos têm se destacado nas pautas sobre a Via Costeira. Em reportagem especial publicada no último fim de semana, a TRIBUNA DO NORTE mostrou que uma ação do Ministério Público Federal (MPF) contesta a íntegra ou trechos do Plano Diretor de Natal (Lei Complementar nº 208/2022) e outras resoluções municipais, além da Lei Estadual nº 12.079/2025. O órgão aponta preocupações com a ocupação intensiva da avenida, como a ampliação de processos erosivos.

O processo foi movido contra o Município de Natal, o Idema, a Câmara Municipal (CMN) e a Assembleia Legislativa (ALRN). A Lei estadual contestada, sancionada pela ALRN, foi a responsável por estabelecer a adequação do Projeto Parque das Dunas/Via Costeira ao Plano Diretor de Natal.

O procurador-geral do Estado, Antenor Roberto, afirma que, ao entrar com a ação, o MPF não verificou que o Idema não é mais o responsável pela execução do projeto, uma vez que o parque será construído em uma área de jurisdição municipal. Além disso, ele esclarece que a Lei Estadual nº 12.079/2025 não foi sancionada e nem vetada pelo Governo do Estado, o que deu à ALRN a responsabilidade de promulgá-la.

O motivo, segundo ele, foi o fato da proposta ter copiado o termo aditivo da PGE aos acordos de concessão de sete terrenos na Via Costeira, estendendo os critérios para um uso mais amplo que não foi estudado pelo Governo. Conforme já apontado pela TRIBUNA DO NORTE, o objetivo dos aditivos nos sete acordos é precisar o processo de construção nas áreas, que pertencem à Companhia de Processamento de Dados (Datanorte), e adaptar as regras ao Plano Diretor de Natal.

Ainda segundo o procurador-geral, a decisão de não vetar considerou o fato de que seria contraditório ir contra uma legislação baseada em critérios defendidos pelo governo nos termos aditivos. Além disso, observa, a lei pode ser favorável para guiar estudos para novas concessões que possam surgir na Via Costeira.

O trecho contestado pelo MPF, de acordo com Antenor, é o artigo 3º da legislação. O trecho estabelece, dentre outros pontos, que o início do funcionamento dos respectivos equipamentos deve ocorrer no prazo máximo de 36 meses, contados a partir da entrada da lei em vigor, excluindo a contagem do prazo para licenciamento dos projetos.

Antenor Roberto explica que cabe à PGE realizar a representação para a defesa da lei. “E vamos defender, também, o Costeira Parque. Estamos em tratativas administrativas e o Ministério Público pediu algumas diligências para entender por que o parque não é alcançado sequer pela tese deles. É um parque que vai ajudar, inclusive, na erosão presente no terreno [em que será construído]. Então, temos dois pontos nessa ação que nos diz respeito diretamente”, completa.

O canteiro de obras, além da inclusão dos tapumes, já foi realizado para dar prosseguimento ao Costeira Parque, em fase atual de licenciamento. De acordo com Antenor Roberto, apesar dos atuais embates jurídicos, o projeto não está sendo prejudicado. “Nós vamos manter o nosso objetivo, que é entregá-lo à sociedade. É um direito da sociedade ter um passeio público na Via Costeira”.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE entrou em contato com a Setur/RN para conseguir dados detalhados sobre a participação da Via Costeira na economia potiguar, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. A Secretaria de Turismo de Natal também foi procurada, mas não conseguiu obter os dados.

*Essa reportagem integra uma série publicada pela Tribuna do Norte sobre a Via Costeira. A primeira, intitulada “Via Costeira: impasse judicial sobre leis urbanísticas trava novos investimentos”, está disponível em tribunadonorte.com.br.

Polo de turismo e qualificação

Além da geração de empregos, a hotelaria da Via Costeira passou a desempenhar um papel expressivo na formação de novos profissionais, com a inauguração do Complexo Hotel-Escola Senac Barreira Roxa. De acordo com dados cedidos pela instituição à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, anualmente são capacitados, em média, mais de 3 mil pessoas nos segmentos de gastronomia, turismo e hospitalidade.

A estrutura do Complexo Barreira Roxa inclui um Centro de Ensino Profissionalizante, 52 apartamentos que podem acomodar até 150 leitos, além de um Centro de Eventos, com capacidade para receber até 300 pessoas. O equipamento foi o primeiro hotel da América Latina a obter o Certificado ISO 21401 de Sustentabilidade e recebeu o Prêmio Braztoa, concedido pelo Ministério do Turismo.

Na avaliação da instituição, a Via Costeira se posiciona como uma área estratégica sob os aspectos turístico, social e urbano. “A Via Costeira é de grande relevância para o setor turístico, pois concentra uma expressiva infraestrutura hoteleira, além de equipamentos urbanos de destaque, como o Centro de Convenções”, apontou por meio de nota.

O gerente de cozinha do Barreira Roxa, o gastrólogo Jonatã Canela, de 37 anos, é uma das pessoas que ganharam uma oportunidade de crescimento profissional por meio da instituição. Natural de Natal, ele conta que realizou seu primeiro curso na área de gastronomia em 2007, por meio do Senac. Na época, já realizava a graduação em gastronomia, mas reforça que foi a qualificação a responsável por seu ingresso no mercado.

Atualmente, Jonatã Canela é responsável por todas as operações de gastronomia do Hotel, que vão desde o que é servido no bar da piscina até a formação do cardápio do Restaurante Navarro. “Estando à frente da cozinha do hotel, posso dividir não só as minhas pesquisas, mas também compartilhar com as pessoas muito do que a nossa cultura e os nossos produtores e os produtos têm a oferecer, fortalecendo a cultura do Rio Grande do Norte”, compartilha.

 

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