Há iniciativas gratuitas em Brasília? No bom
sentido, digo? Mas é claro que sim, ora bolas. Veja-se o exemplo das tentativas
de reverter a liquidação do Banco Master ou de, ao menos, proporcionar ao
banqueiro Daniel Vorcaro uma saída honrosa na pessoa física. Honrosa na visão
dele, sublinhe-se.
Está certo que não parece tão gratuito o fato da
mulher advogada de um ministro do Supremo ter firmado um contrato de R$ 129
milhões com o Banco Master e realizado trabalho quase nenhum. Mas foi
inteiramente gratuita, no bom sentido, a disposição desse ministro em
pressionar o Banco Central para evitar a liquidação. Aliás, não houve pressões,
isso é coisa de jornalista.
Outro ministro do Supremo ter arrogado para si a
ação que investiga o Banco Master e decretado sigilo sobre tudo no dia em que
viajou a Lima ao lado do advogado de um executivo do banco? Gratuidade na
melhor acepção, de quem só procura homens honestos, como o filósofo Dióneges.
E credite-se também à graciosidade bem-intencionada
que o ministro em questão tenha tentado emparedar o Banco Central com uma
acareação bastante criativa, abortada no último momento por causa do barulho de
quem insiste em se voltar contra as verdades da vida. Mas eles vão ver só.
Já estão vendo, e é no TCU. O tribunal empenha-se em
apagar o momento excepcional da descoberta das pedaladas fiscais de Dilma
Rousseff, lá se vão dez anos, para colocar tudo de volta no lugar habitual, de onde
ninguém nunca deveria ter saído.
O ministro Jonathan de Jesus, que tem o “h” que
falta ao seu colega de TCU, o imbatível Aroldo Cedraz, é o encarregado nessa
frente de restabelecer a justiça, custe o que custar.
É comovente o seu esforço em ajudar o honesto Banco
Master a sair da lama em que foi colocado pelo desonesto ou, no mínimo,
apressado Banco Central, que viu fraude onde só havia boas intenções.
A credencial de Jonathan de Jesus para questionar e
inspecionar a autoridade monetária é ser oriundo do Centrão, que só pensa no
progresso do Brasil, como pontuam os seus integrantes.
Há iniciativas gratuitas em Brasília? No bom
sentido, digo? Naturalmente que sim. Daniel Vorcaro, do Banco Master, nunca
pagou a ninguém para defender os seus interesses, só a advogados.
Mario Sabino - Metrópoles

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