A Prefeitura de Serra do Mel adquiriu 1.000 frascos
de Paracetamol 200 mg/ml com apenas nove dias de validade, embora o consumo
estimado das unidades básicas de saúde indicasse a utilização de apenas nove
unidades dentro do prazo, o que resultou em uma perda provável de 99,1% do
estoque, segundo auditoria de uma nota fiscal que integra a investigação da
Operação Mederi. As análises apontam uma perda provável de 12,7 mil diferentes
remédios por expiração do prazo de validade na cidade de 13,8 mil habitantes,
localizada no Oeste potiguar.
Serra do Mel está entre os municípios investigados
na Operação Mederi, que apura irregularidades em contratos, licitações e na
gestão de recursos públicos destinados à área da saúde em cinco cidades do Rio
Grande do Norte. A investigação da Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral
da União (CGU) mostra que, desde 2016, Serra do Mel movimentou R$ 4,08 milhões
com a Dismed e mais R$ 1,4 milhão com a Drogaria Mais Saúde entre 2024 e 2025.
A reportagem da TN não conseguiu contato com a Prefeitura de Serra do Mel.
Os dados sobre os medicamentos constam em relatório
técnico que analisou compras destinadas às UBSs de Serra do Mel e apontou um
descompasso entre o volume adquirido, o prazo de validade e a demanda real da
rede pública de saúde. No caso do Paracetamol, a fiscalização calculou que 991
frascos apresentavam perda provável, já que não havia tempo hábil nem histórico
de consumo compatível para utilização antes do vencimento.
No entanto, a situação não se restringiu ao
Paracetamol. Outros medicamentos adquiridos também apresentavam validade
reduzida e quantidades incompatíveis com o consumo médio nas UBSs. Entre os
itens estão lotes de Azitromicina 200/500 mg, Aciclovir 200 mg, Metoclopramida
10 mg, todos comprados com validade residual que variava entre 30 e 62 dias.
Mesmo assim, as quantidades adquiridas superavam, em larga escala, o consumo
estimado até o vencimento.
ara se ter uma ideia, a fiscalização identificou a
compra de 8.950 unidades de Azitromicina 500 mg com validade de 60 dias, apesar
de consumo estimado de 759 unidades no período, o que representa uma perda
provável superior a dez vezes o volume que poderia ser absorvido pela rede
municipal. Em outras palavras, a auditoria mostra que, das 8.950 unidades de
Azitromicina 500 mg compradas, 8.191 (91,5%) foram jogadas no lixo, de acordo
com a investigação.
O relatório também atestou a situação do medicamento
“Succinato de Metoprolol 100 mg”, que teria sido fornecido em 1.000 unidades,
com prazo de validade de apenas um dia, o que resultou na perda total do lote
no dia seguinte.
Os auditores destacam que os achados referentes ao
município evidenciam fragilidade nos controles internos e ausência de critérios
técnicos adequados na definição das quantidades adquiridas, especialmente em
compras realizadas com produtos próximos ao vencimento.
“Em auditoria realizada pela Controladoria-Geral da
União no referido município, foram identificados os seguintes achados: a) parte
significativa dos produtos pagos pela Prefeitura não é entregue pela empresa
Dismed; b) são adquiridos produtos em quantidades superiores ao histórico de
consumo da rede municipal de saúde; c) são realizados pagamentos por produtos
com prazo de validade residual incompatível com o padrão de consumo do
município; d) sobrepreço da ordem de R$ 53.800,00 nos itens contratados com a
empresa Dismed no Pregão nº 006/2023”, diz o relatório.

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