A Fundação Perseu Abramo (FPA), vinculada ao Partido
dos Trabalhadores, promoveu em 2025 um curso de extensão que contou entre os
professores com Paulo Gala, então economista-chefe do Banco Master, instituição
hoje no centro de investigações por suspeita de fraude bilionária. A informação
foi revelada pela Folha. A iniciativa ocorreu em parceria com a
Unicamp e foi voltada a filiados do partido, militantes, integrantes de
movimentos sociais e servidores públicos.
O curso abordou temas como desenvolvimento
econômico, mercado de trabalho e políticas públicas. No material de divulgação,
a FPA afirmou que o objetivo era capacitar participantes para analisar a
conjuntura nacional e formular propostas para enfrentar desafios sociais. Gala
ocupou o cargo no Banco Master entre setembro de 2021 e julho de 2025, deixando
a instituição durante as negociações de venda ao BRB, antes de as denúncias
contra o banco virem a público. A aula ocorreu em setembro, já após sua saída.
Atualmente professor da FGV-SP, Paulo Gala mantém
interlocução com economistas de esquerda e é citado nos agradecimentos da
dissertação de mestrado do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo,
defendida em 2008. A participação do economista no curso da fundação petista
contrasta com a linha adotada recentemente pela Executiva Nacional do PT, que
passou a usar o caso Master como símbolo de críticas ao mercado financeiro.
Em resolução divulgada na última semana, o partido
citou o escândalo do banco como exemplo de “corrupção e promiscuidade entre
parte do mercado e o crime organizado”. O episódio também respinga no governo
Lula devido às relações do Master com nomes como Ricardo Lewandowski, cujo
escritório recebeu milhões em contratos com o banco, e Guido Mantega, que atuou
como consultor. A contratação do escritório da família Lewandowski, segundo o
Metrópoles, foi indicada pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner
(PT-BA), informação confirmada pela assessoria do parlamentar.

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