terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Do cinema mudo, em Natal, a mais tocada no Mundo: A trajetória da valsa Royal Cinema, criada por um músico seridoense; entenda!

 

Você pode até nunca ter ouvido falar em Tonheca Dantas, mas, muito provavelmente, já escutou a sua obra mais famosa: a valsa Royal Cinema, conhecida e executada em diversas partes do mundo. O que pouca gente sabe é que essa composição nasceu no sertão potiguar, pelas mãos de um nordestino simples, natural de Carnaúba dos Dantas, no interior do Rio Grande do Norte. As informações é de Jair Sampaio.

Tonheca Dantas foi o autor de uma das valsas mais emblemáticas da música mundial, mas, como acontece com muitos talentos nordestinos, o reconhecimento só veio depois de sua morte. A história desse compositor ganhou ainda mais detalhes com a contribuição do maestro carnaubense Márcio Dantas de Medeiros, que ajuda a manter viva a memória desse personagem fundamental da cultura potiguar.

A valsa Royal Cinema recebeu esse nome por ter sido criada para o antigo Cinema Royal, em Natal, onde Tonheca trabalhava como músico. Na época do cinema mudo, as exibições eram acompanhadas por orquestras ao vivo, responsáveis por criar o clima emocional dos filmes. A pedido do proprietário do cinema, Tonheca compôs a música que seria executada como prelúdio, enquanto o público chegava à sala de exibição.

A obra rapidamente caiu no gosto da elite natalense e, aos poucos, ganhou projeção. Durante a Segunda Guerra Mundial, a valsa passou a ser tocada em rádios internacionais, inclusive na BBC de Londres, que a apresentava aos soldados como uma composição de autor desconhecido, embora já fosse amplamente conhecida.

Tonheca Dantas morreu em 1940, sem saber da dimensão que sua música alcançaria. Sua trajetória é marcada por persistência e talento. Aprendeu música de forma quase secreta, contrariando o desejo do pai, e revelou habilidade rara ao dominar praticamente todos os instrumentos de banda. Em 1898, caminhou até Natal para prestar teste na banda da Polícia Militar, impressionou a todos e tornou-se maestro.

A história de Tonheca Dantas é, acima de tudo, um retrato da força cultural do Nordeste e da genialidade que brota do sertão potiguar para o mundo.

 

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