Você pode até nunca ter
ouvido falar em Tonheca Dantas, mas, muito provavelmente, já escutou a sua obra
mais famosa: a valsa Royal Cinema, conhecida e executada em diversas partes do
mundo. O que pouca gente sabe é que essa composição nasceu no sertão potiguar,
pelas mãos de um nordestino simples, natural de Carnaúba dos Dantas, no
interior do Rio Grande do Norte. As informações é de Jair Sampaio.
Tonheca Dantas foi o autor
de uma das valsas mais emblemáticas da música mundial, mas, como acontece com
muitos talentos nordestinos, o reconhecimento só veio depois de sua morte. A
história desse compositor ganhou ainda mais detalhes com a contribuição do
maestro carnaubense Márcio Dantas de Medeiros, que ajuda a manter viva a
memória desse personagem fundamental da cultura potiguar.
A valsa Royal Cinema
recebeu esse nome por ter sido criada para o antigo Cinema Royal, em Natal,
onde Tonheca trabalhava como músico. Na época do cinema mudo, as exibições eram
acompanhadas por orquestras ao vivo, responsáveis por criar o clima emocional
dos filmes. A pedido do proprietário do cinema, Tonheca compôs a música que
seria executada como prelúdio, enquanto o público chegava à sala de exibição.
A obra rapidamente caiu no
gosto da elite natalense e, aos poucos, ganhou projeção. Durante a Segunda
Guerra Mundial, a valsa passou a ser tocada em rádios internacionais, inclusive
na BBC de Londres, que a apresentava aos soldados como uma composição de autor
desconhecido, embora já fosse amplamente conhecida.
Tonheca Dantas morreu em
1940, sem saber da dimensão que sua música alcançaria. Sua trajetória é marcada
por persistência e talento. Aprendeu música de forma quase secreta,
contrariando o desejo do pai, e revelou habilidade rara ao dominar praticamente
todos os instrumentos de banda. Em 1898, caminhou até Natal para prestar teste
na banda da Polícia Militar, impressionou a todos e tornou-se maestro.
A história de Tonheca
Dantas é, acima de tudo, um retrato da força cultural do Nordeste e da
genialidade que brota do sertão potiguar para o mundo.

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