Em pleno ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva decidiu apertar o passo na reforma agrária e reacender a aliança
com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O governo anunciou um
pacote de R$ 2,7 bilhões para novos assentamentos e oficializou a
desapropriação de terras em estados como São Paulo, Bahia, Pará, Pernambuco,
Sergipe e Maranhão, gesto interpretado como aceno direto a um dos movimentos
historicamente ligados ao PT.
O anúncio foi feito durante o encontro nacional do
MST, em Salvador, com a presença de Lula. Segundo o ministro do Desenvolvimento
Agrário, Paulo Teixeira, as medidas têm como objetivo resolver “conflitos
antigos e históricos” no campo. Entre as áreas incluídas está a Fazenda Nova
Alegria, em Minas Gerais, palco do assassinato de cinco trabalhadores do MST em
2004, e a Fazenda Santa Lúcia, no Pará, onde ocorreu o massacre de Pau D’Arco,
em 2017.
A reaproximação ocorre após críticas públicas do
movimento, que no ano passado acusou o governo de lentidão na reforma agrária.
Pressionado, Lula passou a acelerar entregas e retomou discursos alinhados ao
MST, inclusive defendendo maior engajamento político do grupo nas eleições
deste ano. O movimento, inclusive, já anunciou 18 candidaturas ao Legislativo
em 2026.
Nos bastidores, a ofensiva do Planalto também deve
provocar reação da bancada do agronegócio, que aguarda a publicação oficial da
lista de terras desapropriadas. Sem maioria no Congresso e dependente de bases
tradicionais, Lula aposta na mobilização social e em alianças históricas para
tentar manter força política em um cenário cada vez mais disputado.
Com informações do InfoMoney

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