Com a proximidade do calendário eleitoral, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para uma ampla
reformulação no primeiro escalão. A expectativa é que mais de 20 ministros
deixem seus cargos até o fim de março para disputar as eleições de outubro.
Para evitar descontinuidade administrativa neste último ano de mandato, Lula
tem sinalizado que pretende recorrer a “soluções caseiras”, promovendo quadros
que já integram os ministérios.
A orientação no Palácio do Planalto é priorizar
secretários-executivos e auxiliares diretos, que conhecem a rotina das pastas e
podem manter o ritmo das entregas. Um dos movimentos já definidos envolve a
Casa Civil. A atual secretária-executiva, Miriam Belchior, deve assumir o
ministério no lugar de Rui Costa, que deixará o cargo para concorrer ao Senado
pela Bahia. A escolha já foi comunicada internamente e segue a lógica de
continuidade defendida pelo presidente.
Miriam Belchior integra o núcleo do governo desde o
início do mandato e tem histórico de peso na gestão petista. Foi ministra do
Planejamento no governo Dilma Rousseff e presidiu a Caixa Econômica Federal
entre 2015 e 2016. A avaliação de aliados é de que o perfil técnico da futura
ministra ajuda a blindar a Casa Civil de turbulências em um período de
transição política.
Na área econômica, a tendência é semelhante. O atual
secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, é o nome mais cotado para
assumir o comando da pasta com a saída de Fernando Haddad, prevista para
fevereiro. Haddad, que ainda não decidiu se disputará eleições ou atuará na
articulação política da campanha de Lula, tem feito elogios públicos ao
auxiliar e defendido sua trajetória em governos petistas. A eventual ascensão
de Durigan é vista como um sinal de estabilidade ao mercado, sem mudanças
bruscas na política fiscal.
Outra troca em andamento envolve a Secretaria de
Relações Institucionais (SRI). Com a saída de Gleisi Hoffmann para disputar o
Senado pelo Paraná, o nome mais forte para assumir a articulação política do
governo é o de Olavo Noleto, atual presidente do Conselhão. Auxiliares do
Planalto destacam sua experiência, a confiança de Gleisi e o bom trânsito com
parlamentares como fatores decisivos para a escolha.
Com essas movimentações, Lula busca atravessar o ano
eleitoral mantendo o funcionamento da máquina pública e evitando sobressaltos
administrativos. A aposta em nomes da própria equipe reflete a estratégia de
preservar a agenda do governo enquanto ministros deixam o Planalto para entrar
de vez na disputa política.
Com informações do Metrópoles

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