O colapso do Banco Master expôs um escândalo que
ultrapassa o setor financeiro e revelou ligações entre banqueiros, políticos e
integrantes do Judiciário em Brasília, segundo análise da revista
britânica The Economist. Para a publicação, o episódio abalou a
confiança nas instituições brasileiras.
De acordo com a revista, Daniel Vorcaro, que assumiu
o controle do banco em 2019, mantinha um padrão de vida luxuoso enquanto o
Master crescia oferecendo CDs com juros muito acima do mercado. Depois, veio à
tona que a instituição não tinha liquidez e havia vendido ativos sem valor por
bilhões de dólares.
A fragilidade ficou clara quando o Master tentou ser
vendido ao BRB (Banco Regional de Brasília). O maior impacto financeiro recaiu
sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deverá pagar entre US$ 7,5
bilhões e US$ 10 bilhões aos depositantes — a maior indenização da história do
fundo no Brasil. A revista lembra ainda que Vorcaro chegou a ser preso ao
tentar deixar o país.
O caso ganhou dimensão política quando parlamentares
e o Tribunal de Contas passaram a questionar a decisão do Banco Central de
liquidar a instituição, em uma interferência considerada incomum. Investigações
apontaram relações próximas do banco com políticos do Centrão e ministros do
STF, reforçando a percepção pública de falta de imparcialidade.
Apesar da crise, a The Economist destaca
que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, saiu fortalecido, ao
resistir às pressões políticas e defender maior autonomia da autoridade
monetária.

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