Apontado pela Polícia Federal como um dos principais
operadores de fraudes em aposentadorias, o lobista Antônio Carlos Camilo
Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, tentou vender ao Ministério da Saúde
medicamentos à base de cannabis, testes rápidos de dengue e produtos de
nutrição infantil.
Ele foi recebido ao menos uma vez na pasta, em
janeiro de 2025, mas nenhuma compra foi realizada. As tentativas ocorreram
antes e durante a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, que
investiga desvios de até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Mensagens de WhatsApp obtidas pela reportagem
mostram que o Careca e seus funcionários prepararam termos de referência
prevendo compras sem licitação, direcionadas a empresas ligadas ao grupo. A PF
analisa o material.
No caso do canabidiol, a empresa World Cannabis
chegou a elaborar um documento sugerindo a compra de 1,2 milhão de frascos. O
Ministério da Saúde afirmou que não compra nem fornece o produto, que não faz
parte do SUS.
Em janeiro de 2025, o lobista também tentou
viabilizar a venda de testes rápidos de dengue. Mensagens indicam que ele se
reuniu com o então secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa. Apesar
disso, os testes distribuídos pelo governo foram adquiridos por licitação
anterior, sem ligação com o investigado.
Outra frente envolveu uma parceria para fornecer
produtos de nutrição infantil por meio da Indústria Química do Estado de Goiás
(Iquego). A proposta foi reprovada pelo ministério em agosto de 2025.
O STF autorizou a investigação após apontar o
Ministério da Saúde como possível nova área de atuação da organização
criminosa. A Anvisa também foi acionada para apurar eventuais irregularidades.
O Ministério da Saúde e o ex-secretário-executivo
afirmam que as reuniões ocorreram dentro das regras e não resultaram em
contratos ou benefícios ao lobista.

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