O café foi o item da cesta básica que mais encareceu
em 2025, apontou um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café
(Abic), divulgado nesta quinta-feira (29).
E o
preço da bebida deve continuar alto em 2026. Isso porque, mesmo com a
expectativa de uma maior oferta, devido à boa safra, os estoques mundiais do
grão estão esvaziados e a colheita deste ano deve ser usada para recompor essas
reservas, aponta Pavel Cardoso, presidente da Abic.
O faturamento da indústria de café torrado cresceu
25,6% em 2025, na comparação com 2024, e chegou a R$ 46,24 bilhões. Segundo a
associação, a alta foi provocada pelo aumento do preço do café no supermercado.
Entre 2021 e 2025, o valor subiu 116% para o
consumidor. Mesmo assim, a alta foi menor do que a registrada pela
indústria para a compra do alimento dos produtores. O preço do arábica, o tipo
mais comum consumido no Brasil, cresceu 212%.
Esse aumento é resultado de problemas
climáticos que afetaram as lavouras nos últimos anos, como geadas, secas e
temperaturas elevadas. Com menos grãos disponíveis no mercado, os preços
ficaram mais altos.
Como resultado, houve
uma queda do consumo em 2,31% em 2025.
Apesar da queda, Cardoso avalia que o consumo no
Brasil é resiliente e se manteve relativamente estável, mesmo após aumentos
expressivos nos últimos anos.
Por que o café encareceu
O estudo da Abic considerou seis alimentos da cesta
básica. Quatro ficaram mais baratos em 2025 em relação ao ano anterior: açúcar
(-13,3%), leite (-4,9%), arroz (-31,1%), feijão (-14,3%). Dois encareceram: o
preço do óleo de soja subiu 1,2% e o do café torrado e moído, 5,8%.
Diversos fatores fizeram com que o café ficasse mais
caro em 2025. Confira abaixo:
☕O tarifaço de 50% dos EUA sobre o
café brasileiro, que fez o preço do grão disparar na bolsa de Nova York, que é
referência mundial para a negociação do grão;
☕Os baixos estoques de café no mundo, resultado
de quatro anos seguidos de queda na colheita dos principais produtores do mundo
em razão dos problemas climáticos;
☕A queda na produção causada por problemas
climáticos, afetando principalmente o café arábica, principal variedade
produzida no país.
☕O repasse do aumento de custos para os
consumidores, que, ao longo dos anos, foi transmitido em menor proporção
nas gôndolas. Por exemplo, Cardoso afirma que o café ainda subiria cerca de 70%
se a indústria fosse repassar toda a alta de custos desde 2021 para o
consumidor.
Como fica o café em 2026
Mesmo sem balanços oficiais da safra, o presidente
da Abic avalia que o Brasil deve ter uma boa colheita em 2026.
Isso porque o La Niña, evento climático vigente no
ano passado, provocou menos extremos climáticos nas áreas produtoras. Isso
permitiu calor quando era necessário e chuvas nas épocas em que elas são
importantes e no volume certo.
Contudo, Cardoso afirma que seriam necessárias
ao menos duas boas safras, ou seja, boa colheita por dois anos seguidos, para
gerar uma queda real nos preços do café. O foco da indústria, neste
momento, é recuperar os estoques.
Por outro lado, ele acredita ser possível uma
recuperação do consumo. Com mais grãos disponíveis, os preços tendem a oscilar
menos, o que pode abrir espaço para promoções nos supermercados.
"Qualquer baixa do preço na prateleira, o
consumidor já faz uma compra adicional e monta seu próprio estoque em casa. Ele
não abre mão do café", afirma.
Uma leve queda nos preços já foi observada em
dezembro. O café tradicional extraforte, por exemplo, ficou 7,1% mais
barato em relação ao mês anterior.
A redução ocorreu após a queda no preço da
matéria-prima, repassada pela indústria ao consumidor.
O café em cápsulas ficou 13,2% mais
barato em dezembro, na comparação com novembro. Em relação a janeiro de 2025, a
queda chega a 16,8%.
Segundo Cardoso, isso ocorre porque a quantidade de
café por quilo comercializado é diferente nas cápsulas em relação aos pacotes
tradicionais.
Além disso, ele avalia que a indústria pode ter
fechado acordos para vender o produto mais barato a partir de abril, após a
queda na cotação do café, impulsionada pela expectativa de uma boa safra de
robusta.

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