sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Café encareceu 116%, tem maior alta da cesta básica em 2025, e preço deve manter patamar atual, diz indústria

 


O café foi o item da cesta básica que mais encareceu em 2025, apontou um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), divulgado nesta quinta-feira (29).

o preço da bebida deve continuar alto em 2026. Isso porque, mesmo com a expectativa de uma maior oferta, devido à boa safra, os estoques mundiais do grão estão esvaziados e a colheita deste ano deve ser usada para recompor essas reservas, aponta Pavel Cardoso, presidente da Abic.

O faturamento da indústria de café torrado cresceu 25,6% em 2025, na comparação com 2024, e chegou a R$ 46,24 bilhões. Segundo a associação, a alta foi provocada pelo aumento do preço do café no supermercado.

Entre 2021 e 2025, o valor subiu 116% para o consumidor. Mesmo assim, a alta foi menor do que a registrada pela indústria para a compra do alimento dos produtores. O preço do arábica, o tipo mais comum consumido no Brasil, cresceu 212%.

Esse aumento é resultado de problemas climáticos que afetaram as lavouras nos últimos anos, como geadas, secas e temperaturas elevadas. Com menos grãos disponíveis no mercado, os preços ficaram mais altos.

Como resultado, houve uma queda do consumo em 2,31% em 2025.

Apesar da queda, Cardoso avalia que o consumo no Brasil é resiliente e se manteve relativamente estável, mesmo após aumentos expressivos nos últimos anos.

Por que o café encareceu

O estudo da Abic considerou seis alimentos da cesta básica. Quatro ficaram mais baratos em 2025 em relação ao ano anterior: açúcar (-13,3%), leite (-4,9%), arroz (-31,1%), feijão (-14,3%). Dois encareceram: o preço do óleo de soja subiu 1,2% e o do café torrado e moído, 5,8%.

Diversos fatores fizeram com que o café ficasse mais caro em 2025. Confira abaixo:

☕O tarifaço de 50% dos EUA sobre o café brasileiro, que fez o preço do grão disparar na bolsa de Nova York, que é referência mundial para a negociação do grão;

☕Os baixos estoques de café no mundo, resultado de quatro anos seguidos de queda na colheita dos principais produtores do mundo em razão dos problemas climáticos;

☕A queda na produção causada por problemas climáticos, afetando principalmente o café arábica, principal variedade produzida no país.

☕O repasse do aumento de custos para os consumidores, que, ao longo dos anos, foi transmitido em menor proporção nas gôndolas. Por exemplo, Cardoso afirma que o café ainda subiria cerca de 70% se a indústria fosse repassar toda a alta de custos desde 2021 para o consumidor.

Como fica o café em 2026

Mesmo sem balanços oficiais da safra, o presidente da Abic avalia que o Brasil deve ter uma boa colheita em 2026.

Isso porque o La Niña, evento climático vigente no ano passado, provocou menos extremos climáticos nas áreas produtoras. Isso permitiu calor quando era necessário e chuvas nas épocas em que elas são importantes e no volume certo.

Contudo, Cardoso afirma que seriam necessárias ao menos duas boas safras, ou seja, boa colheita por dois anos seguidos, para gerar uma queda real nos preços do café. O foco da indústria, neste momento, é recuperar os estoques.

Por outro lado, ele acredita ser possível uma recuperação do consumo. Com mais grãos disponíveis, os preços tendem a oscilar menos, o que pode abrir espaço para promoções nos supermercados.

"Qualquer baixa do preço na prateleira, o consumidor já faz uma compra adicional e monta seu próprio estoque em casa. Ele não abre mão do café", afirma.

Uma leve queda nos preços já foi observada em dezembro. O café tradicional extraforte, por exemplo, ficou 7,1% mais barato em relação ao mês anterior.

A redução ocorreu após a queda no preço da matéria-prima, repassada pela indústria ao consumidor.

café em cápsulas ficou 13,2% mais barato em dezembro, na comparação com novembro. Em relação a janeiro de 2025, a queda chega a 16,8%.

Segundo Cardoso, isso ocorre porque a quantidade de café por quilo comercializado é diferente nas cápsulas em relação aos pacotes tradicionais.

Além disso, ele avalia que a indústria pode ter fechado acordos para vender o produto mais barato a partir de abril, após a queda na cotação do café, impulsionada pela expectativa de uma boa safra de robusta.

 G1

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