Após a assinatura do esperado acordo de livre
comércio, o governo brasileiro espera que a União Europeia utilize suas
salvaguardas — mecanismo para proteger seus mercados de importações — com
“parcimônia”, disse o secretário de Comércio Internacional do Ministério da
Agricultura, Luis Rua, à CNN.
“A gente entende as sensibilidades da Europa, mas ao
mesmo tempo é motivo de preocupação. E evidentemente há mecanismos de
reequilíbrio do acordo, então esperamos que haja parcimônia na utilização por
parte da Europa. Mas este é um momento de celebrar, chegamos a este acordo
histórico, num mundo muros em vez de pontes. Estamos construindo pontes”,
disse.
Na prática, a salvaguarda estabelece como a UE
poderia suspender temporariamente as preferências tarifárias na importação de
determinados produtos agrícolas considerados sensíveis (como aves ou carne
bovina) do Mercosul, caso essas importações sejam consideradas prejudiciais aos
produtores da UE.
Quando as importações de produtos agrícolas
sensíveis aumentarem em média 5% ao longo de um período de três anos, o bloco
poderá iniciar uma investigação sobre a necessidade de medidas de proteção.
Entre os “mecanismos de reequilíbrio” citados pelo
secretário está a possibilidade de o Mercosul retaliar a UE. Em entrevista à
CNN, o presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo
Santin, defendeu que se adote reciprocidade caso a salvaguarda impeça o livre
comércio.
Acordo beneficia itens ainda no tarifaço
Luis Rua ainda destacou que muitas das preferências
tarifárias que passam a vigorar imediatamente após a ratificação do acordo — ou
seja, aprovação pelo Parlamento Europeu e legislativos sul-americanos —
beneficiam itens que ainda são afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos.
“Temos exemplos icônicos como a redução de 14% para
zero de tarifa, logo na entrada em vigor, no caso da uva. Também temos o caso
do café solúvel, para o qual em quatro anos teremos a redução completa. Cito
esses dois porque são produtos que ainda estão no tarifaço”, disse.
Pelo acordo, o Mercosul eliminará as tarifas sobre
91% das exportações da UE ao longo de um período de 15 anos. Já os europeus
eliminarão progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul
num período de até dez anos.
Próximos Passos
Com a assinatura do acordo, ainda será necessário
que o Parlamento Europeu e o Legislativo dos países do Mercosul,
individualmente, aprovem o tratado para que ele entre em vigor.
Também é necessário que os parlamentos nacionais do
Mercosul o aprovem. Uma cláusula inserida no acordo garante, contudo, que caso o
Congresso Nacional brasileiro dê seu aval – assim como o Parlamento Europeu – o
tratado já pode vigorar, sem necessidade de outros sul-americanos deliberarem.
O presidente da CRE (Comissão de Relações
Exteriores), Nelsinho Trad, afirmou em entrevista à CNN que os trabalhos no
Congresso visam aprovar o Mercosul-UE até julho de 2026, para que o livre
comércio esteja em vigor no segundo semestre deste ano.
Fonte: CNN Brasil

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