domingo, 11 de janeiro de 2026

Banco Central identifica 36 empresas em esquema de desvio de R$ 11,5 bilhões no Banco Master

 


O Banco Central identificou um suposto esquema de fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master, 36 empresas — muitas de pequeno porte e sem atividade real — e fundos de investimento ligados à gestora Reag. As informações são do Valor Econômico.

Segundo comunicação enviada ao Ministério Público, os recursos vinham de empréstimos fictícios concedidos a essas empresas, que depois aplicavam o dinheiro em fundos como D Mais e Bravo. Esses fundos, por sua vez, investiam em outros fundos da Reag, onde ocorreria o desvio.

O dinheiro tinha como origem depósitos em CDBs feitos por clientes do Banco Master, muitos com garantia do FGC. Após circular por fundos e operações suspeitas, os valores voltavam ao banco como novos CDBs, agora em nome de laranjas.

Um dos principais instrumentos usados no esquema seriam as cártulas do antigo Besc. O fundo High Tower comprava esses papéis por valores baixos e os registrava por preços muito maiores. Um lote adquirido por R$ 850 milhões foi reavaliado para R$ 10,8 bilhões.

Com isso, o fundo informou um retorno anual de 10,5 milhões por cento em 2024, gerando um ganho de R$ 10,5 bilhões em um ano.

A empresa Brain Realty aparece na lista com um empréstimo de R$ 449 milhões. Em média, cada empresa envolvida movimentou cerca de R$ 288 milhões.

O BC também apontou o uso de fundos exclusivos para lavagem de dinheiro, incluindo Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Maia 95 e Anna — alguns citados na Operação Carbono Oculto, que investigou o uso de fundos para ocultar dinheiro do PCC.

Além desse esquema, o Banco Central apura outra fraude envolvendo a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes do Banco Master para o BRB. Parte dos recursos dessas operações teria sido usada em pedidos de aumento de capital com dinheiro de contas laranja.

O BC pediu à Justiça o bloqueio de R$ 11,5 bilhões para ressarcir credores, como o FGC e fundos de pensão públicos.

A Reag afirmou que seus fundos são regulados, auditados e supervisionados pela CVM e pelo BC.
A defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, negou qualquer ligação com as operações investigadas.

 

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