O auxílio-doença burnout passou a ocupar o centro do
debate sobre saúde mental e relações de trabalho no Brasil. Dados do Ministério
da Previdência Social revelam que os benefícios concedidos por transtornos
ligados à organização do trabalho saltaram de 823, em 2021, para 4.880 em 2024.
Além disso, apenas no primeiro semestre de 2025, já foram registradas 3.494
concessões, o que indica tendência de crescimento contínuo.
Esse avanço, no entanto, não ocorreu por acaso.
Desde já, especialistas apontam que mudanças legais e maior reconhecimento do
nexo entre adoecimento psíquico e atividade profissional explicam o aumento. Em
contraste com anos anteriores, o esgotamento mental deixou de ser tratado como
problema individual e passou a integrar o cálculo institucional do risco
laboral.
Auxílio-doença burnout e novas regras
trabalhistas
Em 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego incluiu
a síndrome de burnout no rol de doenças ocupacionais. Simultaneamente, a
atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01) passou a exigir que empresas
identifiquem, avaliem e controlem riscos psicossociais. Entre eles, destacam-se
pressão excessiva por desempenho, jornadas prolongadas e ambientes organizacionais
disfuncionais.
Segundo a advogada trabalhista Ana Gabriela
Burlamaqui, o novo enquadramento jurídico não elimina a perícia do INSS, mas
reduz a subjetividade na caracterização do adoecimento. Conforme explica,
quando há comprovação do nexo causal ou concausal com o trabalho, o afastamento
pode ser equiparado a acidente de trabalho, ampliando direitos do empregado.
Por outro lado, as empresas passam a enfrentar maior responsabilidade sobre a
prevenção desses riscos.
Na mesma linha, a advogada Elisa Alonso afirma que a
legislação trata agora a saúde mental de forma objetiva. Além disso, a gestão
de riscos psicossociais tornou-se obrigação empresarial, o que influencia tanto
a concessão de benefícios quanto a judicialização das relações de trabalho.
Sintomas e impactos do esgotamento
profissional
Segundo o Ministério da Saúde, a síndrome de burnout
se manifesta por sintomas físicos, emocionais e comportamentais. Entre eles,
aparecem cansaço extremo, esgotamento mental, irritabilidade, dificuldade de
concentração e queda de desempenho. Além disso, surgem alterações no sono,
dores de cabeça, ansiedade e sentimentos de fracasso.

Nenhum comentário:
Postar um comentário