Investidores processam a empresa STG Capital
Investimentos e o seu proprietário Diego Felipe Sampaio Alves, que é médico
oftalmologista, por supostas irregularidades no gerenciamento de investimentos.
Os investidores alegam que realizaram aplicação de recursos na STG Capital, sob
a promessa que teriam rendimentos acima dos valores do mercado, mas que a
empresa não vem cumprindo com o que foi contratado. No sistema do Tribunal de
Justiça, consta a existência de 13 processos contra a empresa. A Polícia Civil
e o Ministério Público do RN abriram procedimentos para investigar o caso. De
acordo com os investidores, a STG não tem registro na Comissão de Valores
Imobiliários para gerenciar investimentos. Os valores das ações chegam à casa
dos milhões de reais.
A reportagem da TRIBUNA teve acesso a um dos
processos, movido por Diana de Souza Sisson, que é sogra do acusado, e pela
Akesse Indústria e Comércio. O caso dela teve início em 2021 e o valor
requerido é de quase R$ 5 milhões. Na época, a empresária começou a aplicações
de seus recursos próprios na empresa de investimentos do genro, a Diego Sampaio
Investimentos Sociedade Unipessoal Ltda – STG Capital Investimentos, sob a
promessa de que o valor teria rentabilidade acima dos praticados pelas
instituições bancárias do país. O processo destaca que a empresa do médico é
inteiramente operada por ele sem quaisquer funcionários ou equipes de trabalho.
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou os
advogados de Diego Sampaio e Diana de Souza Sisson para mais detalhes do caso,
mas ambos informaram que não vão se pronunciar sobre o assunto fora dos autos
do processo.
Conforme consta no documento, a empresa nunca
possuiu autorização do Banco Central do Brasil e nem da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), para atuar na captação de recursos ou gerir investimentos, o
que evidencia atuação irregular e ilegal. “Eis que não possui a devida
autorização e registros junto aos órgãos competentes, o que configura crime de
exercício ilegal de atuação no mercado de valores mobiliários, dada a falta de
registro na CVM (Lei 4.595/64, Arts. 17 e 18 e Lei 6.385, Arts 2o, IX, e
27-E)”, diz o processo.
Ao todo, Diana investiu inicialmente R$ 500 mil na
empresa, dos quais R$ 200 mil seriam referentes a oito cotas em um plano
denominado “THORP”, com de 1,5% ao mês de rendimento líquido sobre o capital
investido. O valor restante, correspondente a R$ 300.000, referente a três
cotas, foi aplicado em um outro plano denominado “IREMIA”. Nos dois contratos,
conforme o processo, a solicitação de resgate seria o valor do dia do pedido, sem
a incidência de multa, sendo creditado o resgate em cinco dias úteis na conta
da contratante.
Uma vez que nas aplicações mensais da sogra do
médico eram lançados rendimentos de 1,5% líquido sobre o capital investido, ela
passou a aplicar mais recursos, incluindo os do caixa de sua empresa, a autora
Akesse Indústria e Comércio do Nordeste Ltda. Ao final de 2021, segundo
documentos expostos na defesa de Diana, ela já tinha saldo de R$ 2.120.815,37,
enquanto que a sua empresa estava com R$ 270.991,40.
Foi apenas a partir deste ano, contudo, que Diana
alega ter passado a solicitar resgates de valores das contas de sua pessoa
física e jurídica que estavam na seção “CASH”, o que deveria ser recebido de
imediato ou no dia seguinte, no máximo. Contudo, segundo o processo, começou a
haver atrasos por parte do médico, o que motivou o seu requerimento para resgate
de todas as aplicações.
Diego Sampaio, ainda de acordo com o que foi alegado
pela empresária, começou prometer que os resgates seriam recebidos em até 60
dias. Os atrasos fizeram com que a empresária precisasse recorrer a linhas de
crédito para que a sua empresa honrasse as obrigações assumidas com
fornecedores. Houve a notificação extrajudicial do médico para pagamento dos
resgates, sendo solicitada reunião com o Diego Sampaio, que disse que havia um
bloqueio judicial e não estaria conseguindo honrar os compromissos.
Além de alegar que não estaria conseguindo honrar
seu compromisso, ele afirmou que, caso não pagasse, parcelaria o valor e
ofereceu como garantias cotas de sua clínica de oftalmologia, o que não foi
aceito. No processo movido pela sogra, houve um acordo judicial entre as
partes, mas que não teria sido cumprido e, em 23 de outubro, houve a última
movimentação, que trata sobre a execução para pagamento do acordo.

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