Saidinha: Lula escolheu o lado errado, e
o Congresso já disse isso
Em pleno debate presidencial, com milhões de
brasileiros assistindo, o presidente Lula teve a chance de falar sobre
segurança pública. Preferiu defender a saída temporária de presos para visitar
a família, a famosa “saidinha”. Segundo ele, quem tem “comportamento decente” e
está “se recuperando” merece esse direito.
Num país em que o medo da violência é uma das
maiores preocupações da população, a escolha de prioridade já diz muito.
Um veto derrubado por esmagadora maioria
O presidente fala como se o tema ainda estivesse em
aberto. Não está. Em 2024, o Congresso aprovou a lei que restringiu o
benefício. Lula vetou o trecho que mantinha as visitas familiares, e o veto foi
derrubado por margem enorme: 314 a 126 na Câmara e 52 a 11 no Senado. Não foi
um acidente de percurso nem manobra de bastidor. Foi a representação popular
dizendo, com clareza, que o país não quer mais esse modelo.
Hoje, a saída temporária continua existindo apenas
para presos do semiaberto que precisam frequentar cursos educacionais ou de
formação profissional. Ou seja: quem quer estudar e trabalhar para se reinserir
continua tendo caminho. O que acabou foi a saída por feriado, sem finalidade
pedagógica, que virou símbolo de impunidade para boa parte da sociedade.
O argumento do “comportamento decente”
O discurso de Lula soa humano, mas esconde o
problema central. Quem avalia o “comportamento decente” de um preso? Um
conselho penitenciário sobrecarregado, um sistema que a própria esquerda
costuma descrever como falido, superlotado e dominado por facções? Se o Estado
não consegue garantir nem o básico dentro dos presídios, como pedir que a
sociedade confie na triagem de quem sai?
Para a vítima e para a família da vítima, o argumento
é ainda mais difícil de engolir. Quem foi assaltado, agredido ou perdeu alguém
para o crime não vê a saidinha como “direito à convivência familiar”. Vê como o
Estado priorizando o conforto de quem violou a lei enquanto o cidadão comum se
tranca atrás de grades em casa.
Prioridade invertida
A pergunta que fica é simples: com tantos problemas
de segurança, por que o presidente escolheu gastar seu tempo de debate
defendendo o benefício de condenados? Governar é fazer escolhas. Num momento em
que o eleitor cobra mais proteção, mais polícia, mais inteligência e mais rigor
com o crime organizado, Lula escolheu a trincheira que o próprio Congresso,
incluindo parte significativa da base que o apoia, já abandonou.
Ressocialização é um objetivo legítimo, e ninguém
sério nega isso. Mas ela se constrói com trabalho, estudo e vigilância dentro
do sistema, que é justamente o que a lei atual preserva. Defender a volta da
saidinha por feriado não é defender a recuperação do preso. É ignorar o que a
sociedade já decidiu.
O eleitor brasileiro vai julgar, nas urnas, quem
entendeu o recado.

Nenhum comentário:
Postar um comentário