Uma rede de sites fabricados em série e páginas
patrocinadas concentrou ataques a Flávio Bolsonaro (PL) em anúncios pagos,
segundo apuração da plataforma A Investigação. A empresa que figura como
pagadora de parte das peças, a Corporativo Lam, LLC, já havia usado a mesma
conta verificada no Google para divulgar campanhas de órgãos do governo de
Nicolás Maduro na Venezuela.
A notícia é do Diário do Poder. O PT levou a
operação ao gabinete do ministro Flávio Dino, no STF, como possível caso de
“interferência estrangeira” nas eleições. A petição citou 138 anúncios
negativos a Lula, número tirado de levantamento da Agência Lupa. O mesmo
material, porém, já apontava cerca de 600 peças contra Flávio. Na amostra
examinada pela reportagem — 1.428 anúncios de 70 páginas —, 514 foram
classificados como ataques diretos ao senador e ele aparece como personagem
central em 627.
A Corporativo Lam está registrada em Delaware,
estado americano conhecido pelo anonimato dos proprietários. O cadastro indica
a formação da empresa e o agente registrado, mas não identifica quem a controla
nem quem a contratou para atuar no Brasil. Há indícios que apontam para a
República Dominicana; o mandante e a origem do dinheiro seguem sem
identificação.
A rede reuniu 76 páginas no Facebook e 40 endereços
com aparência de portais brasileiros. Trinta e sete desses domínios foram
registrados em 6 de setembro, em sequência de cerca de 50 minutos. Os sites
compartilham token de verificação do Google e estrutura de navegação idêntica,
embora exibam nomes, marcas e cidades diferentes. Até o fim de setembro
acumulavam cerca de 130 mil artigos, muitos reescritos automaticamente a partir
das mesmas pautas. Uma mesma matéria política chegou a aparecer em 20 portais
no mesmo segundo.
Os anúncios começaram em julho, antes da maior parte
dos sites existir. Naquela fase favoreciam Renan Santos (Missão) e atacavam
Flávio; a partir de setembro passaram a impulsionar Augusto Cury (Avante), sem
tirar o senador do centro dos ataques. Em 23 peças de 20 páginas, a operação
reimpulsionou vídeos produzidos pela coligação Lula–Alckmin — com nome e CNPJ
da campanha visíveis —, entre eles um que chama Flávio de “o pior dos
Bolsonaros” e outros que o associam a Daniel Vorcaro e Rodrigo Bacellar sob a
palavra “PRESO”.
Nas faixas informadas pela Meta, o gasto desses
1.428 anúncios fica entre US$ 210 mil e menos de US$ 385 mil (cerca de R$ 1,1
milhão a R$ 2 milhões). O investimento no Google não entra nessa conta. A
plataforma removeu parte das peças por descumprimento das regras de publicidade
política, sem identificar o contratante.
O histórico venezuelano da Corporativo Lam — 37
anúncios entre abril e maio, inclusive de órgãos do governo Maduro — e o
reimpulsionamento dos vídeos da coligação não comprovam que Maduro, Lula ou o
PT tenham financiado a ofensiva. Os registros mostram Flávio como principal
alvo da rede levada ao STF. Quem encomendou a campanha permanece desconhecido.

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