O ex-banqueiro Daniel Vorcaro reuniu-se com o
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes em 11 de abril de
2024. O objetivo do encontro era convencê-lo a votar favoravelmente em uma
disputa bilionária envolvendo o setor sucroalcooleiro, cujos desdobramentos beneficiariam
diretamente os negócios do Banco Master, presidido por Vorcaro.
Na época, a instituição financeira mantinha em sua
carteira bilhões de reais em créditos dessas empresas sob a forma de
precatórios. Os papéis perderiam valor caso a Suprema Corte invalidasse as
ações indenizatórias movidas pelas usinas contra a União, um impacto estimado
pela Advocacia-Geral da União (AGU) em até R$ 145 bilhões.
O encontro com o magistrado foi viabilizado com a
ajuda do empresário Chiquinho Feitosa, ex-deputado e ex-senador pelo Ceará, que
na época mantinha um contrato de prestação de serviços de R$ 500 mil mensais
com Vorcaro para atuar na área de educação e fazer lobby em Brasília. Feitosa é
ex-cunhado de Gilmar Mendes.
Registros do celular de Vorcaro detalham a
negociação com a secretaria do tribunal para marcar a audiência. O ex-banqueiro
pediu um roteiro exclusivo, solicitando entrar sozinho no gabinete das 18h às
18h30 e, em seguida, receber outras duas pessoas, incluindo o ex-advogado-geral
da União Bruno Bianco. Após ser avisado de que o ministro dispunha de pouco
tempo, recebendo a confirmação de um “encaixa” de apenas 15 minutos, Vorcaro
ajustou os planos.
O posicionamento de Gilmar Mendes
Em nota oficial, o gabinete de Gilmar Mendes
confirmou a realização da audiência em ambiente institucional no STF,
ressaltando que o recebimento de advogados é prerrogativa legal da função. A
nota enfatizou também que o ministro não participou de negociações particulares
entre Chiquinho Feitosa e o ex-banqueiro e que não responde pelas relações
profissionais de ex-parentes.
O comunicado destacou o histórico de votos do
magistrado nos processos do setor, nos quais ele reiteradamente posicionou-se
contra os interesses do Banco Master e a favor da União, a exemplo de julgamentos
envolvendo a usina Jalles Machado e a empresa Raízen, nos quais votou
contrariamente à liberação dos precatórios bilionários.
Com informações da Folha de São Paulo

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