A preocupação com a corrupção no Brasil cresceu seis
pontos percentuais e alcançou 20% do eleitorado, segundo pesquisa Quaest
divulgada nesta segunda-feira (7). O salto coincide com a escalada da crise
interna no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada pelo pedido de investigação
feito pelo ministro Alexandre de Moraes contra seu colega André Mendonça. O
levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais.
Com esse avanço, a corrupção igualou-se à economia
(19%) como a segunda maior preocupação dos brasileiros. O tema que lidera o
ranking continua sendo a violência, que se manteve estável em 31%.
A crise no STF ganhou novos contornos na semana
passada com a revelação de mensagens em que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do
Banco Master, pedia orientações a Moraes dias antes de ser preso. A decisão de
Mendonça, relator do caso, de levantar o sigilo sobre as conversas aprofundou o
atrito na Corte e motivou o pedido de investigação por parte de Moraes.
Impacto por grupos e regiões
O crescimento na percepção da corrupção foi geral,
mas ganhou destaque em redutos específicos: na direita não bolsonarista, por
exemplo, subiu de 21% para 28%, já na direita bolsonarista teve um salto de 10
pontos percentuais, subindo de 18% para 28%.
Entre os lulistas, o crescimento na percepção de
corrupção subiu de 5% para 12%, enquanto entre os eleitores de esquerda não
lulistas, o salto percentual foi de 8% para 14%. Já entre os eleitores
considerados independentes, o crescimento foi de 16% para 20%.
Geograficamente, a Região Sul registrou a maior
alta, passando de 16% para 28%. No Nordeste, o índice foi de 7% para 17%. No
Sudeste (de 17% para 21%) e no agrupamento Centro-Oeste/Norte (de 15% para
17%), as variações ficaram dentro da margem de erro local.
Aprovação do governo e cenário eleitoral
Os índices de aprovação e rejeição do governo
federal mantiveram-se estáveis dentro da margem de erro. Atualmente, Lula é
aprovado por 43% dos eleitores e desaprovado por 50%. Em agosto, a gestão
registrava 48% de aprovação e 47% de desaprovação.
Na corrida presidencial, o primeiro turno projetado
mostra Lula na liderança com 36%, seguido por Flávio Bolsonaro com 29%. Augusto
Cury (Avante) aparece com 8%, Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD)
registram 3% cada, e Romeu Zema (Novo) tem 2%.
Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio
Bolsonaro, há um empate técnico inédito desde março de 2026, com ambos marcando
41%. A distância entre os dois candidatos vinha diminuindo progressivamente nas
últimas semanas, tendo sido de oito pontos em 26 de julho (45% a 37%).
Nos demais cenários de segundo turno
testados pela Quaest:
Lula (41%) x Ronaldo Caiado (38%) (Brancos/nulos:
17%; Indecisos: 4%)
Lula (39%) x Augusto Cury (35%) (Brancos/nulos:
21%)
Lula (44%) x Romeu Zema (33%)
Lula (42%) x Renan Santos (37%)
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 eleitores
presencialmente entre os dias 3 e 6 de setembro de 2026. O nível de confiança é
de 95% e o registro na Justiça Eleitoral é o BR-01720/2026.
A pesquisa Quaest foi encomendada pela Globo e pelo
jornal O Globo e entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 03 de setembro a 06
de setembro. O registro no TSE é BR-01720/2026. A margem de erro é de dois
pontos e o nível de confiança, de 95%.
Com informações do O Globo

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