A campanha do presidente Lula (PT) driblou novamente o TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) e endereçou diretamente ao ministro do STF (Supremo Tribunal
Federal) Flávio Dino o pedido para apurar uma eventual intervenção estrangeira na eleição
brasileira.
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental
foi destinada pelo PT a Dino com a justificativa de que ele relatou uma ação
proposta pelo Instituto Brasileiro de Mineração para discutir a atuação de
municípios brasileiros em ações judiciais no exterior.
A decisão neste caso foi tomada em 18 de agosto de
2025 e afirmou, segundo o PT diz na petição, "a ineficácia interna de atos
unilaterais estrangeiros não incorporados ou admitidos pela ordem jurídica
brasileira e vedou a execução, no país, de imposições e instrumentos de coerção
deles decorrentes". "É sobre a complementação e a efetividade desses
comandos que recai esta manifestação", diz o advogado da campanha do PT,
Angelo Ferrari.
Ele diz que o Partido dos Trabalhadores pretende
complementar a tese firmada no julgamento sobre os municípios "para
explicitar a incidência dos comandos de soberania sobre o processo eleitoral e
sobre os agentes que, no país, podem executar atos estrangeiros, inclusive nos
ambientes digital e financeiro, consideradas as vedações ao aporte estrangeiro
a partidos e candidaturas".
Pede ainda "o recebimento de fatos novos como
notícia de descumprimento, com a instauração de inquérito pela Polícia Federal
e as providências de preservação e instrução necessárias ao cumprimento da
decisão".
A estratégia repete a adotada na semana passada,
quando o governo também driblou a corte eleitoral e endereçou diretamente ao
ministro Gilmar Mendes uma petição para julgar a validade do anúncio do
reajuste do Bolsa Família, atravessando a competência do TSE para analisar
questões eleitorais. Gilmar foi escolhido porque ele relatou uma ação que
analisava a constitucionalidade de benefícios concedidos por Jair Bolsonaro em
2002.
A ação, porém, já estava arquivada e, contra
Bolsonaro, Gilmar votou pela inconstitucionalidade dos benefícios. O reajuste
do Bolsa Família para Lula, contudo, foi validado por ele.
Dino e Gilmar são alinhados ao Palácio do Planalto e
integram uma ala oposta, no STF, à liderada pelo ministro André Mendonça e por
Kassio Nunes Marques, indicados à Corte por Jair Bolsonaro e que hoje comandam
o TSE. A corte vive uma guerra interna em razão do envolvimento de ministros
com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A ideia dos governistas é justamente driblar o comando
"bolsonarista" no TSE, direcionando questionamentos eleitorais
diretamente ao STF.
Advogados ligados a campanha do PT informaram
à CNN que só o STF tem competência para analisar a parte penal de uma
eventual interferência estrangeira nas eleições brasileiras e tomar decisões
como quebras de sigilo. Disse ainda que a única ação no STF que discute a
aplicabilidade de atos unilaterais de influência estrangeira é a ADPF 1178,
relatada pelo ministro Flávio Dino, motivo pelo qual a ação foi endereçada a ele.

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