Nove anos após a
rebelião que deixou 27 mortos na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia
Floresta, a Justiça do Rio Grande do Norte decidiu não levar os 15 réus do
processo ao Tribunal do Júri. Os acusados foram absolvidos das acusações
de homicídio, dano qualificado e ocultação de cadáveres.
A decisão foi tomada pelo Colegiado da Unidade
Judiciária de Delitos de Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça do Rio
Grande do Norte. Dos 15 réus, quatro foram condenados por participação em organização
criminosa.
O episódio aconteceu em 14 de janeiro de
2017 e ficou conhecido como Massacre de Alcaçuz. Na época,
integrantes de uma facção criminosa que estavam em um dos pavilhões invadiram
outro setor da penitenciária, onde estavam presos integrantes de uma facção
rival. Os confrontos se estenderam pelo presídio.
As imagens registradas durante a rebelião mostraram
presos em confronto e muitos deles circulando pela área externa da
penitenciária.
Para o presidente da Comissão de Direito Criminal da
OAB/RN, Paulo Pinheiro, o Estado pode ser responsabilizado pelos acontecimentos
dentro do sistema prisional.
"A exemplo de Alcaçuz, o Estado responde
objetivamente pelos fatos ocorridos ali, considerando que é obrigação do Estado
a cautelar, a integridade física da pessoa privada de liberdade."
A decisão da Justiça ocorre após anos de tramitação
do processo que apurou as responsabilidades pelos acontecimentos dentro da
penitenciária.
Relembre reportagem da época do
Massacre:
Massacre de Alcaçuz
O massacre de 2017 na Penitenciária Estadual de
Alcaçuz foi o episódio mais sangrento do sistema prisional potiguar, terminando
com pelo menos 27 presos mortos. A rebelião começou no dia 14 de janeiro
daquele ano e envolveu uma disputa de dois grupos criminosos rivais.
Os corpos de 26 presos foram encontrados em
condições de extrema brutalidade. Com capacidade naquela época para 620
internos, Alcaçuz tinha 1.200 presos no dia da matança.
Antes de acontecer o massacre, os pavilhões 1, 2, 3
e 4 pertenciam à Alcaçuz. Já o pavilhão 5, antes dominado por presos do
Primeiro Comando da Capital, fazia parte do Presídio Rogério Coutinho Madruga,
que é um anexo de Alcaçuz. Na época, apenas uma cerca de arame farpado separava
as duas unidades.
Armados, presos do PCC saíram do pavilhão 5 e
invadiram o pavilhão 4, onde estavam parte dos presos do Sindicato do Crime do
RN, facção rival que nasceu de membros desgarrados do próprio PCC.

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