sábado, 19 de setembro de 2026

Colapso hídrico pode afetar 9 municípios no Seridó, aponta Caern

 


Anthony Medeiros
Colaborador no Seridó

Cinco reservatórios que abastecem nove municípios do Seridó potiguar estão sob risco de colapso hídrico até dezembro deste ano, segundo alerta da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Caso a previsão se confirme, mais de 63 mil pessoas poderão ser afetadas. O cenário consta em ofício encaminhado pela Companhia ao Gabinete Civil do Governo do Estado neste mês de setembro. Apesar do alerta, a gestão estadual afirma que não há risco de interrupção do abastecimento até o fim do ano e que outros mananciais têm água suficiente para atender os municípios, caso seja necessário.

A lista dos municípios afetados conta com Currais Novos, Equador, Parelhas, Carnaúba dos Dantas, Jardim do Seridó, São João do Sabugi, Ipueira, São José do Seridó e Ouro Branco. A avaliação considera os volumes dos reservatórios que atualmente atendem essas cidades e aponta a possibilidade de esgotamento dos mananciais até dezembro. Em Currais Novos, por exemplo, o Açude Dourado, com capacidade para pouco mais de 10 milhões de metros cúbicos, está com menos de 1% de água armazenada, com a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) passando a contar apenas com o Açude Marechal Dutra, o Gargalheiras, localizado em Acari, para atender 100% dos domicílios no município currais-novense. Além do Açude Dourado, em Gargalheiras, também constam no relatório o Açude Mamão, responsável pelo abastecimento de Equador; o Boqueirão, que atende Parelhas, Jardim do Seridó e Carnaúba dos Dantas; o Santo Antônio, em São João do Sabugi; e o Martelo, em Ipueira.

O alerta consta em documento obtido pela TRIBUNA DO NORTE, elaborado pela Caern. Segundo a SEMARH, o abastecimento nos municípios citados não chega a estar ameaçado até o fim do ano. “É uma avaliação preliminar, necessária para o trabalho que fazemos que não é só executivo, mas também preventivo. A partir disso sabemos quais medidas tomar e nos antecipar. O trabalho de gestão de águas projeta ações para seis, sete meses na frente. Para esse ano, o abastecimento dos municípios está garantido, mesmo que não chova nos próximos meses”, afirma o auxiliar.

De acordo com o documento, a situação de Ouro Branco e São João do Sabugi é apontada como mais delicada pela Caern, já que os dois municípios “não dispõem de um sistema de abastecimento emergencial”. Atualmente, segundo a estatal, o abastecimento de Ouro Branco está sendo feito por poços rasos. Segundo a SEMARH, de junho de 2025 até agosto de 2026 foram perfurados 31 poços no município.

O monitoramento dos reservatórios potiguares é feito diariamente pelo Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn), orientando as decisões sobre o abastecimento. A utilização de poços, como ocorre em Ouro Branco, é uma das alternativas em caso de baixo nível dos reservatórios utilizados. Outras ações que são empregadas são o transporte de água através de carros-pipa e a utilização de adutoras já existentes para levar água de uma região para outra.

Fiscalização de irregularidades é reforçada

A Caern mantém um programa permanente de fiscalização de irregularidades na rede de água para monitorar e combater o uso clandestino do sistema de abastecimento. A ação ganha ainda mais importância durante os períodos de estiagem, quando a disponibilidade de água é menor e qualquer desvio irregular pode comprometer o fornecimento para cidades e comunidades atendidas.

No Seridó, as fiscalizações são realizadas pelas equipes da Caern e podem resultar na retirada da tubulação clandestina e na aplicação de multa aos responsáveis. No início do mês, uma ligação clandestina, conhecida como “gato”, foi identificada em tubulação da Adutora Serra de Santana. A irregularidade impactou diretamente o abastecimento das cidades atendidas pela Adutora Serra de Santana: Florânia, Tenente Laurentino Cruz, São Vicente, Bodó e Lagoa Nova, além da zona rural desses municípios.

Com o avanço da estiagem, também aumenta a ocorrência de ligações clandestinas em áreas rurais, principalmente para utilização da água em atividades de irrigação. Por isso, a fiscalização também é realizada nessas localidades, com o objetivo de preservar a água disponível e garantir que ela chegue aos consumidores que dependem do sistema público.

A água distribuída pela Caern é destinada exclusivamente ao abastecimento humano. A Caern já realizou fiscalizações em comunidades rurais de Currais Novos, incluindo as áreas de Bulhões, Barra Verde, Brejuí e Acauã. O trabalho terá continuidade em outras cidades da região.

A fiscalização de ligações clandestinas é uma das medidas adotadas para proteger o sistema de abastecimento e contribuir para o uso responsável da água, especialmente em períodos de estiagem.

Adutora Seridó deve ser entregue até dezembro

Para contribuir com o cenário, o Governo do Estado acompanha, com expectativa, as obras para conclusão da Adutora Seridó. A estrutura, segundo a SEMARH, tem previsão para iniciar os trabalhos a partir de dezembro, trazendo águas da Barragem Engenheiro Armando Gonçalves, em Assú, para o Seridó potiguar. Esse primeiro ponto faz parte do eixo Sul, que trará águas para Jucurutu, São Vicente, Florânia, Cruzeta, Acari e Currais Novos.

Varella informou que uma reunião com a Secretaria Nacional de Recursos Hídricos, realizada há 15 dias, confirmou a expectativa para a entrega ainda neste ano. A obra do Governo Federal é tratada pelo Estado como uma solução definitiva para ampliar a segurança hídrica da região.

Além da Adutora Seridó, a gestão das águas trabalha com a possibilidade de utilizar as águas da Barragem de Oiticica, em Jucurutu, em caso de necessidade de algum município da região. Atualmente, são mais de 500 milhões de metros cúbicos em níveis que aumentam diariamente, com o Rio Piranhas levando mais água para o reservatório.

“Temos água suficiente no território, contando com Oiticica. Anteriormente era mais complicado, porque em caso de emergência, essa água tinha que ser retirada aqui de Natal, por exemplo”, observa o secretário.

 

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