Anthony Medeiros
Colaborador no Seridó
Cinco reservatórios que abastecem nove municípios do
Seridó potiguar estão sob risco de colapso hídrico até dezembro deste ano,
segundo alerta da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern).
Caso a previsão se confirme, mais de 63 mil pessoas poderão ser afetadas. O
cenário consta em ofício encaminhado pela Companhia ao Gabinete Civil do
Governo do Estado neste mês de setembro. Apesar do alerta, a gestão estadual
afirma que não há risco de interrupção do abastecimento até o fim do ano e que
outros mananciais têm água suficiente para atender os municípios, caso seja
necessário.
A lista dos municípios afetados conta com Currais
Novos, Equador, Parelhas, Carnaúba dos Dantas, Jardim do Seridó, São João do
Sabugi, Ipueira, São José do Seridó e Ouro Branco. A avaliação considera os
volumes dos reservatórios que atualmente atendem essas cidades e aponta a
possibilidade de esgotamento dos mananciais até dezembro. Em Currais Novos, por
exemplo, o Açude Dourado, com capacidade para pouco mais de 10 milhões de
metros cúbicos, está com menos de 1% de água armazenada, com a Companhia de
Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) passando a contar apenas com o
Açude Marechal Dutra, o Gargalheiras, localizado em Acari, para atender 100%
dos domicílios no município currais-novense. Além do Açude Dourado, em
Gargalheiras, também constam no relatório o Açude Mamão, responsável pelo
abastecimento de Equador; o Boqueirão, que atende Parelhas, Jardim do Seridó e
Carnaúba dos Dantas; o Santo Antônio, em São João do Sabugi; e o Martelo, em
Ipueira.
O alerta consta em documento obtido pela TRIBUNA DO
NORTE, elaborado pela Caern. Segundo a SEMARH, o abastecimento nos municípios
citados não chega a estar ameaçado até o fim do ano. “É uma avaliação
preliminar, necessária para o trabalho que fazemos que não é só executivo, mas
também preventivo. A partir disso sabemos quais medidas tomar e nos antecipar.
O trabalho de gestão de águas projeta ações para seis, sete meses na frente.
Para esse ano, o abastecimento dos municípios está garantido, mesmo que não chova
nos próximos meses”, afirma o auxiliar.
De acordo com o documento, a situação de Ouro Branco
e São João do Sabugi é apontada como mais delicada pela Caern, já que os dois
municípios “não dispõem de um sistema de abastecimento emergencial”.
Atualmente, segundo a estatal, o abastecimento de Ouro Branco está sendo feito
por poços rasos. Segundo a SEMARH, de junho de 2025 até agosto de 2026 foram
perfurados 31 poços no município.
O monitoramento dos reservatórios potiguares é feito
diariamente pelo Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte
(Igarn), orientando as decisões sobre o abastecimento. A utilização de poços,
como ocorre em Ouro Branco, é uma das alternativas em caso de baixo nível dos
reservatórios utilizados. Outras ações que são empregadas são o transporte de
água através de carros-pipa e a utilização de adutoras já existentes para levar
água de uma região para outra.
Fiscalização de irregularidades é
reforçada
A Caern mantém um programa permanente de
fiscalização de irregularidades na rede de água para monitorar e combater o uso
clandestino do sistema de abastecimento. A ação ganha ainda mais importância
durante os períodos de estiagem, quando a disponibilidade de água é menor e
qualquer desvio irregular pode comprometer o fornecimento para cidades e
comunidades atendidas.
No Seridó, as fiscalizações são realizadas pelas
equipes da Caern e podem resultar na retirada da tubulação clandestina e na
aplicação de multa aos responsáveis. No início do mês, uma ligação clandestina,
conhecida como “gato”, foi identificada em tubulação da Adutora Serra de
Santana. A irregularidade impactou diretamente o abastecimento das cidades
atendidas pela Adutora Serra de Santana: Florânia, Tenente Laurentino Cruz, São
Vicente, Bodó e Lagoa Nova, além da zona rural desses municípios.
Com o avanço da estiagem, também aumenta a
ocorrência de ligações clandestinas em áreas rurais, principalmente para
utilização da água em atividades de irrigação. Por isso, a fiscalização também
é realizada nessas localidades, com o objetivo de preservar a água disponível e
garantir que ela chegue aos consumidores que dependem do sistema público.
A água distribuída pela Caern é destinada
exclusivamente ao abastecimento humano. A Caern já realizou fiscalizações em
comunidades rurais de Currais Novos, incluindo as áreas de Bulhões, Barra
Verde, Brejuí e Acauã. O trabalho terá continuidade em outras cidades da
região.
A fiscalização de ligações clandestinas é uma das
medidas adotadas para proteger o sistema de abastecimento e contribuir para o
uso responsável da água, especialmente em períodos de estiagem.
Adutora Seridó deve ser entregue até
dezembro
Para contribuir com o cenário, o Governo do Estado
acompanha, com expectativa, as obras para conclusão da Adutora Seridó. A estrutura,
segundo a SEMARH, tem previsão para iniciar os trabalhos a partir de dezembro,
trazendo águas da Barragem Engenheiro Armando Gonçalves, em Assú, para o Seridó
potiguar. Esse primeiro ponto faz parte do eixo Sul, que trará águas para
Jucurutu, São Vicente, Florânia, Cruzeta, Acari e Currais Novos.
Varella informou que uma reunião com a Secretaria
Nacional de Recursos Hídricos, realizada há 15 dias, confirmou a expectativa
para a entrega ainda neste ano. A obra do Governo Federal é tratada pelo Estado
como uma solução definitiva para ampliar a segurança hídrica da região.
Além da Adutora Seridó, a gestão das águas trabalha
com a possibilidade de utilizar as águas da Barragem de Oiticica, em Jucurutu,
em caso de necessidade de algum município da região. Atualmente, são mais de
500 milhões de metros cúbicos em níveis que aumentam diariamente, com o Rio
Piranhas levando mais água para o reservatório.
“Temos água suficiente no território, contando com
Oiticica. Anteriormente era mais complicado, porque em caso de emergência, essa
água tinha que ser retirada aqui de Natal, por exemplo”, observa o secretário.

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