Dois em cada três comentários feitos nas redes
sociais sobre as investigações envolvendo o filho mais velho do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, renderam críticas ao
petista, que tenta se reeleger para o quarto mandato. O levantamento do núcleo
de dados da VoxRadar, feito em parceria com a CNN Brasil entre 13 e 19 de
agosto, mostra que 68% dessas postagens são de teor negativo.
Entre o dia que a CNN informou a mudança de um
endereço comercial de Lulinha na Espanha para uma área nobre em Madri até esta
quarta-feira (19), quando a PF apontou que a empresária e lobista Roberta
Luchsinger aparentava ter autorização para agir em nome do filho do petista,
64% dos comentários a respeito do caso apontavam Lula, Lulinha e o PT como culpados
em manifestações como "tal pai, tal filho", "quadrilha" ou
"ladrão".
Uma parcela negativa, mas que representa 4% do
total, apresentou uma descrença institucional, traduzida na frase: "vai
dar em pizza", acusando o STF (Supremo Tribunal Federal) de blindar os
envolvidos no caso. Em um espectro semelhante, uma parcela de 3.667 comentários
demonstrou um desengajamento diante do assunto, diagnosticando que
"direita e esquerda" roubam igual.
Apesar da maioria crítica, 17% dos internautas
saíram em defesa do presidente Lula, destacanto o caráter do chefe do Executivo
ao não pedir o arquivamento do caso, um apoio direcionado majoritariamente ao
gesto do que ao mérito ou resultado do caso. Entretanto, apesar de serem
minoria no volume de comentários, aqueles que se posicionam a favor se dividem
entre uma postura de defesa do petista e um comportamento de contra-ataque.
Cerca de 8% daqueles que se colocaram a favor do
presidente optaram pela forma de apontar as acusações dos adversários,
relembrando casos relacionados ao concorrente de Lula ao Palácio do Planalto, o
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu histórico de acusações sobre rachadinhas
e sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Apesar de a maioria númerica dos comentários atacar
Lula, 54,95% das curtidas, classificadas pela Vox como engajamento, são em
defesa do mandatário.
Discurso moral e pouco impacto eleitoral
Apesar da cobertura extensa da investigação, a
VoxRadar apontou que o pódio dos comentários se baseiam, principalmente, no
pedido de prisão, no sobrenome Lula e no papel eleitoral que a investigação
terá, como as declarações do presidente defendendo a investigação de seu
próprio filho.
Descobertas factuais, como a reportada pela CNN
Brasil de uma compra de jóias intermediadas por Roberta Luchsinger ao então
chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola,
representam 2.233 menções, 0,9% das interações; o contrato de canabidiol sem
licitação, 279 comentários.
Já o apelido "Lulinha" figura em 13.397
comentários e prisão ou cadeia, 13.537.
A pesquisa também levantou que o caso aparenta ter
pouco impacto nas intenções de voto ao pleito deste ano. Segundo a VoxRadar, os
comentários acontecem em "arenas" diferentes, ou seja, publicações
que circulam onde o voto costuma já estar decidido. No ambiente hostil a Lula,
de 22.405 comentários que declaram voto, 15.452 deles são feitos em ambientes
em que o público é hostil ao presidente.
Nos ambientes considerados mistos, como comentários
em publicações da imprensa tradicional, a vantagem é das manifestações
pró-Lula, 5.874, enquanto aqueles que estão contra o presidente registram
3.514.
CNN Brasil

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