Secretário-executivo do Ministério da Saúde,
Swedenberger Barbosa, o Berge era o 2° na hierarquia da pasta. Franklin
Paz/Ministério da Saúde
Um episódio do começo de 2025 mostra como atuava no
Ministério da Saúde a lobista Roberta Luchsinger, amiga do empresário e
biólogo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho primogênito do presidente
Lula (PT). Segundo pessoas que conviveram com ela na pasta, Roberta se reunia
com frequência com o então secretário-executivo do ministério, Swedenberger
Barbosa, o Berge, e alegava ter influência sobre a liberação de recursos da
saúde para Estados e municípios.
Berge foi o nº 2 na hierarquia do Ministério da
Saúde de janeiro de 2023, no começo do terceiro mandato de Lula, até março de
2025, quando se tornou assessor da Presidência da República, despachando dentro
do Palácio do Planalto.
Em março de 2025, pouco depois da posse de Alexandre
Padilha como ministro da Saúde, um assessor dele foi procurado por um aliado do
governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), a respeito de uma verba de R$ 40
milhões destinada ao Fundo Estadual de Saúde local.
O dinheiro estava retido porque a Comissão
Intergestores Bipartite (CIB) local não tinha emitido a resolução necessária à
liberação. Esse tipo de resolução é um acordo entre gestores estaduais e municipais
sobre como será usado o dinheiro.
A verba tinha sido pedida a Padilha ainda em 2024,
quando ele estava na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da
Presidência. O dinheiro foi empenhado (isto é, reservado), mas não tinha sido
pago por conta da pendência. O empenho estava prestes a ser cancelado, pondo a
verba a perder.
Ainda em março, o problema na CIB foi resolvido. A
verba — uma parcela única destinada a procedimentos de média e alta
complexidade — foi salva. O pagamento caiu na conta do Fundo Estadual
maranhense no dia 4 de agosto de 2025.
Swedenberger Barbosa entra na história pouco depois
disso. Segundo duas fontes ouvidas pela coluna, ele ligou para o governador
Carlos Brandão — de dentro do gabinete da Presidência da República, onde já atuava
— para informar que foi ele quem “liberou” os R$ 40 milhões. Segundo ele, a
verba só saiu por causa dele e de Roberta Luchsinger. Procurado pela coluna,
Carlos Brandão foi evasivo. Disse não ter “conhecimento sobre esse assunto”.
Enquanto esteve no Ministério da Saúde, Swedenberger
Barbosa atuou para favorecer cidades governadas por prefeitos do PT ou de
partidos aliados na distribuição de verbas da saúde.
Além de Swedenberger Barbosa, outro ex-assessor
próximo de Lula que atuou na liberação das verbas foi Marco Aurélio Santana
Ribeiro, o Marcola. Ex-chefe de gabinete de Lula, Marcola teve despesas
pessoais suas pagas por Roberta Luchsinger. Ele nega irregularidades e diz que
o dinheiro era parte de um empréstimo pessoal da lobista.
Metrópoles

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