O endividamento das famílias de baixa renda atingiu
o maior nível da série histórica da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Em
julho, 85% das famílias com renda de até três salários mínimos estavam
endividadas, quarto recorde consecutivo do indicador.
O percentual supera a média nacional de
endividamento, que também alcançou um recorde de 82% no período.
Os dados mostram ainda piora na inadimplência. Entre
junho e julho, a parcela de famílias com contas em atraso subiu de 38,3% para
38,5%, enquanto a proporção das que afirmam não ter condições de quitar as
dívidas passou de 17,6% para 17,8%.
Segundo a CNC, muitas famílias continuam recorrendo
ao crédito para complementar o orçamento. “É como se o crédito fosse um
puxadinho do orçamento”, afirmou o economista-chefe da entidade, Fábio Bentes.
Outro fator de pressão é o custo do crédito. Com
juros elevados, consumidores de baixa renda acabam recorrendo a modalidades
mais caras, como cartão de crédito e cheque especial, o que aumenta o risco de
inadimplência.
Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) também
apontou aumento do estresse financeiro entre as famílias de menor renda e queda
na confiança do consumidor nesse grupo.

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