Uma professora da rede estadual de ensino do Rio
Grande do Norte foi afastada das atividades após fazer uma declaração
considerada racista durante uma aula na Escola Estadual Gilberto Rola,
localizada no Assentamento Maísa, zona rural de Mossoró.
O caso ocorreu na noite de terça-feira (21), durante
aula de Educação Física para uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A
fala foi gravada por um aluno.
Nas imagens, a professora do quadro efetivo da
escola relata uma conversa que teria tido com o marido sobre a possibilidade de
adoção de uma criança.
"Nunca namorei, nunca me senti atraída. Meu
marido uma vez me disse assim: 'vamos adotar uma criança? Mas eu só quero [...]
eu não sei se ele fez pra me testar, mas só adoto se for um pretinho, bem
pretinho'. Eu disse: você não vai não. Eu disse assim: se você chegar eu boto
na vizinha", afirma a professora.
A fala foi gravada por um estudante da turma e publicada
posteriormente em uma rede social. Até esta quarta-feira (22), o vídeo
acumulava cerca de 600 mil visualizações.
Logo em seguida, é possível ouvir uma aluna
comentar: "A senhora tem cara de racista."
O estudante que grava o vídeo então questiona a docente:
"Professora, aí o que é que muda, professora? Só a cor da pele?". A
professora então responde. "É algo de mim, e eu assumo isso".
Após a publicação do vídeo nas redes sociais, a
Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC) informou que
adotou medidas administrativas para apurar o caso.
Segundo a pasta, será instaurado um processo de
sindicância ainda nesta semana, respeitando os prazos regimentais. Como medida
administrativa, a professora permanecerá afastada das atividades até a conclusão
da apuração.
O que diz a SEEC
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação, do
Esporte e do Lazer informou que tomou medidas logo após o conhecimento da
denúncia.
"A SEEC informa que, tão logo tomou
conhecimento da denúncia de racismo envolvendo uma professora da rede estadual
em Mossoró, adotou as medidas administrativas cabíveis para a apuração dos
fatos.
A pasta disse que vai instaurar processo de
sindicância para investigar o caso. A secretaria acrescentou que "não
compactua com qualquer forma de discriminação ou racismo e acompanhará o caso
com o rigor necessário, adotando as providências cabíveis conforme o resultado
da apuração."

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