O jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) afirma, em
editorial, que a primeira-dama Janja recorre à acusação de “misoginia” para
rebater críticas aos gastos com dinheiro público em viagens oficiais.
O editorial foi publicado após entrevista de Janja
ao UOL, na qual ela afirmou que as críticas aos gastos são motivadas por
“misoginia pura”.
Para o Estadão, ser mulher não elimina a obrigação
de prestar contas dos recursos públicos gastos em compromissos oficiais.
O Estadão afirma ainda que usar a acusação de
misoginia para responder a questionamentos sobre gastos públicos acaba
banalizando um problema enfrentado diariamente por muitas mulheres.
Na avaliação do jornal, cobrar transparência sobre
despesas pagas pelo contribuinte é uma obrigação de qualquer agente público,
independentemente do sexo.
O editorial também contesta a declaração de Janja de
que seria a primeira primeira-dama a “trabalhar efetivamente” no País.
Como contraponto, cita a atuação da ex-primeira-dama
Ruth Cardoso, destacando sua participação na criação do programa Comunidade
Solidária, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
Por fim, o Estadão afirma que o discurso de defesa
das mulheres adotado por Janja contrasta com as escolhas do presidente Lula
para cargos de alto escalão.
O jornal ressalta que a maioria das nomeações feitas
pelo presidente para ministérios e tribunais superiores foi de homens e
argumenta que, apesar disso, Lula não recebe a mesma acusação de “misoginia”.

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