O ex-governador e ex-senador Garibaldi Alves Filho
(MDB) respondeu às críticas feitas pela presidente estadual do PT, Samanda
Alves, e saiu em defesa do legado de sua administração à frente do Rio Grande
do Norte (1995-2002). Em entrevista exclusiva ao AGORA RN, Garibaldi afirmou
que rejeita comparações feitas por adversários políticos sem respaldo na
avaliação da população e sustentou que sua gestão deixou obras estruturantes
que continuam produzindo resultados décadas depois.
A declaração de Garibaldi é uma reação direta ao
artigo publicado por Samanda no AGORA RN na última sexta-feira 10. Na ocasião,
a dirigente petista criticou o vice-governador Walter Alves (MDB) por usar o
governo Garibaldi como referência ao apontar problemas fiscais da atual administração
estadual.
No artigo, Samanda afirmou que Walter faz uma
comparação inadequada entre períodos históricos distintos, argumentando que o
governo Garibaldi contou com um cenário fiscal favorecido pela privatização da
Cosern, enquanto Fátima Bezerra assumiu um Estado endividado e com quatro
folhas salariais em atraso. Ela também sustentou que o vice-governador não
teria autoridade para criticar a gestão da qual ainda faz parte
institucionalmente, sobretudo após ter declarado que não participou das
principais decisões administrativas do governo.
Garibaldi respondeu dizendo que não cabe a políticos
estabelecer quem governou melhor o Estado. Para ele, esse julgamento pertence
exclusivamente à população, que dispõe de instrumentos concretos para avaliar o
desempenho de cada administração.
“Quem tem autoridade para dizer se um governo foi
melhor ou pior que o outro é o povo. Não é político ‘A’ ou ‘B’. Se fosse o
político, era muito bom: todo governo era o melhor já feito. Mas não é assim.
Essa é uma lição que aprendi logo cedo nesses muitos anos de política: o povo é
quem diz se o governo foi bom ou ruim, se foi melhor ou pior. E para medir isso
há uma forma simples: as obras e as pesquisas de aprovação feitas com a
população. E aí sim são possíveis comparativos”, afirmou.
Ao rebater a comparação feita pela dirigente
petista, o ex-governador direcionou a discussão para o legado material deixado
por sua administração. Segundo ele, a principal marca do governo foi o
investimento em segurança hídrica, especialmente por meio da construção de barragens
e da implantação de um amplo sistema de adutoras que transformou o
abastecimento de água no Estado.
“No quesito das obras, há um dado que sobressai:
durante minha gestão como governador, realizei o maior programa de adutoras já
feito no Brasil, naquela época. Fizemos grandes barragens e ligamos essas
barragens às cidades. Eu lembro que foi essa mudança que reduziu imensamente a
morte de crianças nas cidades. Mudou realmente a qualidade de vida no RN. E
isso não sou eu que afirmo: mas o Ministério da Saúde, com seus levantamentos”,
declarou.
Garibaldi afirmou que o impacto dessas obras
permanece visível quase 30 anos depois e relacionou diretamente os
investimentos realizados em seu governo à chegada das águas da Transposição do
Rio São Francisco ao Rio Grande do Norte. Na avaliação dele, a infraestrutura
implantada nos anos 1990 foi decisiva para permitir que o Estado pudesse
aproveitar o novo sistema hídrico.
“Passados todos esses anos, são esses canos e essas
barragens feitas pelo governo Garibaldi Filho que possibilitam também que as
tão esperadas águas da Transposição cheguem e sejam distribuídas no Rio Grande
do Norte. Imagine a Transposição agora sem ter onde armazenar as águas. Imagine
as águas da Transposição chegando ao RN e não tendo os dutos para levar elas às
cidades? Como seria? Acho que isso diz tudo acerca de uma comparação. Tivemos
gestão e vontade política naquela época. Nós fizemos o dever de casa para
garantir hoje que possamos avançar. E isso o povo comprova quando vê a água
chegar às suas torneiras”, afirmou.
O ex-governador também contestou a defesa feita por
Samanda da condução fiscal da atual administração. Em seu artigo, a presidente
do PT destacou que o Estado reduziu o comprometimento da Receita Corrente
Líquida com despesas de pessoal, regularizou o pagamento dos salários, retomou
investimentos e conquistou o segundo lugar nacional no Ranking da Qualidade da
Informação Contábil e Fiscal da Secretaria do Tesouro Nacional.
Garibaldi preferiu enfatizar indicadores econômicos
de seu período à frente do Executivo e demonstrou preocupação com a situação
das contas públicas atualmente.
“Há um outro aspecto que é a questão fiscal. Na
época do meu governo, alcançamos um PIB acima da média brasileira e do
Nordeste. E hoje nos preocupa o endividamento do Estado, que passou de 2025
para 2026 com mais de R$ 3 bilhões em dívidas. Quando um Estado gasta mais do
que arrecada, isso é preocupante”, afirmou.
Ele também respondeu ao argumento de Samanda de que
sua gestão não poderia servir de parâmetro para a realidade atual. Em vez de
discutir apenas números fiscais, voltou a defender que o legado administrativo
deve ser medido pelos resultados alcançados e pela avaliação popular.
“Com relação à aprovação do governo, na minha época,
saí com altos índices de aprovação e fui eleito senador. O que é que as
pesquisas de aprovação dizem agora? A vereadora poderia verificar e fazer a
comparação”, declarou, referindo-se à dirigente petista.
Defesa de Walter
As declarações de Garibaldi reforçam o discurso
adotado por Walter Alves desde que rompeu politicamente com o governo Fátima
Bezerra no início deste ano. Nas últimas semanas, o vice-governador tem
afirmado que o próximo governador precisará promover um “choque de gestão”,
citando déficit fiscal, crescimento das despesas, atrasos relacionados aos
empréstimos consignados e dificuldades financeiras do Estado como justificativa
para a decisão de não assumir o Executivo caso a governadora deixasse o cargo
para disputar o Senado.
Samanda reagiu a essa posição afirmando que Walter
não poderia se apresentar como crítico de uma gestão da qual continua fazendo
parte institucionalmente. No artigo publicado pelo Agora RN, ela escreveu que
“quem abre mão da responsabilidade de governar perde, a meu ver, parte da
autoridade para posar de fiscal da gestão” e classificou como incoerente a
postura do vice-governador.
Garibaldi, por sua vez, saiu em defesa do filho e
procurou deslocar o foco do debate para sua trajetória política e para os
resultados obtidos durante sua atuação parlamentar. Segundo ele, Walter
construiu credibilidade ao longo dos mandatos exercidos na Câmara dos Deputados
e ajudou diretamente os municípios potiguares por meio da destinação de
recursos federais.
“Com relação a Walter, também sou suspeito de falar,
mas é preciso ser justo. Fui senador, presidente do Congresso e ministro e pude
contar sempre com Walter ao meu lado ajudando as cidades do Rio Grande do
Norte”, afirmou.
Na avaliação do ex-governador, os resultados desse
trabalho podem ser mensurados pelo volume de investimentos destinados aos
municípios. “Os números estão aí para quem quiser ver: só de Walter, são mais
de R$ 300 milhões em recursos para as cidades. Não é só dinheiro. Foram
ambulâncias, unidades de saúde, ruas, casas, quadras, ajuda para o custeio da
saúde. Ou seja: contribuições para a melhoria de vida da população mesmo”,
destacou.
Garibaldi acrescentou que a atuação parlamentar do
filho consolidou um patrimônio político semelhante ao que, segundo ele,
construiu durante sua passagem pelo Governo do Estado. “Hoje, graças a esse
trabalho, Walter tem algo que eu conquistei pelo trabalho que fiz como
governador: credibilidade. As pessoas sabem que nós, o MDB, já fizemos muito e
temos condições de fazer muito mais. As pesquisas de intenção de voto confirmam
isso. Os prefeitos que estão nos ajudando confirmam isso. E as urnas, em
outubro, se Deus quiser, comprovarão essas minhas palavras”, afirmou.

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