As famílias de Natal encerraram o primeiro semestre
de 2026 ainda pessimistas em relação ao consumo, embora o cenário seja mais
favorável do que o registrado há um ano. O Índice de Intenção de Consumo das
Famílias (ICF), divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo (CNC), ficou em 92,8 pontos na capital potiguar em junho,
abaixo da linha de 100 pontos que separa pessimismo de otimismo. O resultado
contrasta com a média das capitais brasileiras, que alcançou 104 pontos,
indicando confiança do consumidor.
Segundo o consultor de Economia da Fecomércio RN, William Figueiredo, a cautela
está concentrada principalmente na compra de bens duráveis, como
eletrodomésticos, móveis e veículos, produtos que normalmente dependem de
financiamento. “Como dependem de crédito, a taxa de juros acaba sendo um fator
que inibe essas compras”, explica.
O índice, no entanto, avançou na comparação com junho de 2025, quando registrou
76,8 pontos. Para o economista, a melhora é reflexo do aumento da renda e da
manutenção da geração de empregos formais na capital, que abriu cerca de 2,3
mil vagas com carteira assinada até maio deste ano.
“Os indicadores mostram que, ao longo dos últimos 12 meses, o pessimismo vem
diminuindo. Nossa expectativa é que, com a manutenção da geração de empregos e
o crescimento econômico esperado para o Rio Grande do Norte, a confiança das
famílias possa voltar ao campo do otimismo até o fim do ano”, afirma William.
Em nível nacional, a pesquisa da CNC mostra que a Intenção de Consumo das
Famílias avançou apenas 0,1% em junho, já descontados os efeitos sazonais. Foi
o crescimento mais modesto desde o início da sequência de altas iniciada em
novembro do ano passado, mas suficiente para elevar o índice para 105,5 pontos,
o maior patamar desde março de 2015.
O levantamento aponta que a melhora continua sendo sustentada pela recuperação
do mercado de trabalho, pelo aumento da renda e pela desaceleração dos preços
dos bens duráveis. O destaque do mês foi justamente o indicador de intenção de
compra desses produtos, que cresceu 1,2% em relação a maio e acumulou alta
anual de 20,3%, sinalizando uma recuperação gradual da confiança do consumidor.
Por outro lado, a pesquisa também identificou um ambiente de maior cautela em
relação ao mercado de trabalho. A Perspectiva Profissional foi o único
componente do índice a apresentar retração na comparação anual (-6,3%),
refletindo incertezas sobre o emprego nos próximos meses.
Para o supervisor técnico do Dieese no Rio Grande do Norte, Ediran Teixeira, o
comportamento mais conservador das famílias é consequência do endividamento
acumulado nos últimos anos, mesmo diante da recuperação da renda com o
crescimento do emprego que ocorre desde 2022.
“As pessoas têm mais dinheiro hoje, mas continuam pagando dívidas e, por isso,
permanecem mais cautelosas antes de assumir novos financiamentos”, avalia.
Na análise do economista, esse movimento é percebido principalmente no varejo,
onde o consumo das famílias depende diretamente da confiança para assumir novas
parcelas e financiamentos. Contudo, a tendência de melhora deve continuar,
desde que a renda permaneça estável e o processo de redução do endividamento
avance. “À medida que as famílias resolvem seus problemas financeiros e mantêm
a renda, elas voltam a pensar em novos consumos. É isso que começa a acontecer
agora.”
Ao mesmo tempo, Ediran aponta que a preocupação com o emprego continua presente
porque, embora o desemprego esteja em níveis historicamente baixos, a
informalidade ainda limita o poder de compra de parte dos trabalhadores.
“Sempre haverá a preocupação com o emprego, porque a economia vive de ciclos e
pode acontecer uma crise. Com isso, as pessoas mantêm cautela.”

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