sexta-feira, 17 de julho de 2026

Da 'taxa das blusinhas' à crise do INSS: O que pesa contra Lula entre indecisos que votaram no petista em 2022

 


Para além de avançar entre grupos tradicionalmente mais resistentes ao PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará também convencer uma fatia dos eleitores que o apoiaram em 2022, mas que agora estão em dúvida se devem repetir o voto no "13" em outubro deste ano. Uma pesquisa qualitativa feita pelo Instituto Plaza Publica entre maio e junho com eleitores nesse grupo revela que a percepção de que houve uma perda de fôlego no discurso do petista e a repercussão de crises recentes ligadas ao governo, como o escândalo do INSS e a chamada "taxa das blusinhas" — cobrança de 20% para produtos importados de até US$ 50 depois revogada —, ainda pesam na avaliação da gestão federal entre quem não definiu o voto, mas apoiou o presidente há quatro anos.

Responsável pelo levantamento, conduzido a partir de 20 entrevistas em profundidade com moradores de oito capitais brasileiras, entre elas São Paulo e Rio, o pesquisador Eduardo Sincofsky explica que o segmento é majoritariamente formado por integrantes das classes média baixa e alta. Os integrantes da primeira faixa de renda representam eleitores que estão um pouco acima dos que recebem benefícios sociais e, muitas vezes, têm o sonho de empreender. Já o segundo grupo é formado por eleitores que votaram em Lula em 2022 por rejeitar Jair Bolsonaro, mas que agora esperam do presidente um discurso diferente do adotado na última campanha, mais voltado para temas como inovação e crescimento econômico.

Os resultados da pesquisa não são generalizáveis para toda essa população, por se tratar de uma análise qualitativa, mas oferecem pistas sobre como esses eleitores pensam.

Dados da pesquisa Genial/Quaest divulgados nesta quarta-feira mostram que, entre eleitores com renda familiar de dois a cinco salários mínimos, o índice de desaprovação do governo (50%) ainda supera o de aprovação (45%), apesar de, em números gerais, o quadro estar invertido pela primeira vez desde dezembro de 2024. Também nesse grupo, 38% declaram voto em Lula no primeiro turno e 29% dizem que apoiarão o senador Flávio Bolsonaro (PL). Outros candidatos, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além do ex-deputado federal Cabo Daciolo (Mobiliza), têm 4%, 3% e 3%, respectivamente.

Por trás da divisão do segmento, o relatório do Plaza Publica aponta que, para esses eleitores, as "fórmulas" usadas pelo petista no passado não reverberam da mesma forma no presente e muito menos no futuro imaginado. No segmento, essa percepção é acentuada pela impressão de que, ao longo deste mandato, as melhorias foram obtidas em "gotejos" e que as mudanças estão em "banho-maria".

"Os ganhos do Lula estão no passado", comentou um dos entrevistados ouvidos pelo levantamento. "Hoje o presidente não consegue mais avançar em políticas públicas", pontuou outro.

— Entre as demandas desses eleitores em 2022, estava a necessidade de colocar em ordem as coisas básicas e deixar para trás o legado deixado pelo bolsonarismo. Havia um desejo de melhoria, que hoje continua existindo, mas está estancado e em baixa intensidade. As pessoas não estão mais vibrando com a perspectiva de melhora — explica Eduardo Sincofsky. — Os programas sociais são vistos como iniciativas bem executadas, mas o que há além disso?

A sensação se materializa na discussão de temas como a economia, segundo levantamento, em que prevalecem opiniões de que o salário mínimo teve poucos ganhos reais, ao ser comparado com a inflação, somado ao entendimento de poucos ganhos substanciais no poder de compra, afetado por uma "sanfona de preços", que ora diminui, ora sobe novamente.

"É difícil falar ‘vou guardar esse dinheiro para o futuro’. Se a gente só trabalha e paga conta, em que momento a gente se diverte?", acrescentou um eleitor ouvido pelo Plaza Publica.

Impactos causados pelas crises

O diagnóstico feito pela Plaza Publica mostra que, para esse grupo de eleitores, também reverbera a imagem do governo como um agente interessado no aumento da carga tributária, mesmo após a revogação da taxa das blusinhas. A cobrança foi suspensa pelo Planalto em maio como uma alternativa para recuperação da popularidade do petista diante da competitividade da campanha de Flávio Bolsonaro. Mesmo depois da medida ser revogada, o segmento dos indecisos ainda questiona, no entanto, a demora para suspensão e como a interrupção da arrecadação gerada pela taxa será compensada.

— A questão de retirar a taxa é um ponto em que já havia uma tensão embutida, porque muitas pessoas reclamavam e associavam essa cobrança não apenas às blusinhas, mas a uma série de outros produtos que foram taxados. Agora, quando o governo passa a mexer em algo que era visto como um problema, a percepção é a seguinte: "Pô, tirou só no fim do segundo tempo". Ou seja, a medida chega tarde, pode ser interpretada como eleitoreira — afirma Sincofsky.

A pesquisa também indica que a gestão Lula teve a imagem afetada pelos desdobramentos dos descontos fraudulentos no INSS, que passaram a ser investigados pela Polícia Federal (PF) no ano passado. O caso, com o passar do tempo e com o avanço das investigações, se tornou um "problema do governo", avalia Sincofsky. "Por que o governo não apoiou a CPI do INSS?", questionou um entrevistado ouvido pelo Plaza Publica.

Em paralelo, a reputação do governo também teria sido impactada pela crise dos Correios, que resultou na declaração de um prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo demonstrações financeiras aprovadas pelo Conselho de Administração da empresa. Aos olhos desse grupo de eleitores, questões como a falta de transparência e de clareza na gestão da crise ainda pesam contra a gestão petista. "Como pode ser que falte dinheiro e o governo patrocina o Lollapalooza ou o Gilberto Gil?", questionou um dos entrevistados ouvidos pelo instituto.

O Globo

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

TANGARAENSE - É HOJE: Tangará Casa Show, apresenta, Nicinha Wilar e Marcelo Teclas, reúna os amigos, a família e venha curtir um grande show, esperamos por você

  🎤 TANGARAENSE – TANGARÁ CASA SHOW APRESENTA! 🎶 É nesta sexta-feira (17) ! Uma noite de muita música, animação e diversão com Nicinha ...