Formado parcialmente em engenharia pela PUC, Wagner
migrou cedo para o movimento sindical na indústria petroquímica da Bahia e, em
1990, iniciou uma trajetória política que incluiu dois mandatos como
governador, três como ministro nos governos Lula e Dilma, além de uma passagem
pelo Senado. Uma vida inteira de salário público. Por isso, a descoberta de R$
65 mil em espécie, 450 mil em moeda estrangeira, 13 relógios de luxo e dois
apartamentos em um mesmo prédio avaliado em R$ 9 milhões na Bahia causou
espanto e gerou questionamentos que o parlamentar ainda não respondeu de forma
convincente.
Os comentaristas do Jornal das 6 ressaltaram que a
questão central não é o número de relógios em si, mas a origem do dinheiro
usado para comprá-los. "Você não pode ter 20 calças porque só tem duas
pernas, o problema é como ele comprou", resumiu um dos apresentadores. A
defesa do senador, que alegou que os valores em espécie seriam diárias sacadas
e guardadas em casa, foi classificada como fraca até por aliados políticos. Na
Bahia, Wagner é descrito nos blogs locais como um homem rico, o que contrasta
diretamente com a renda declarada ao longo de décadas de vida pública.
A Polícia Federal aponta que Wagner teria recebido
R$ 3,5 milhões em propina, além de um apartamento ligado ao esquema. A nora do
senador, casada com seu filho, secretário do governo da Bahia, também é
investigada: a PF questiona que tipo de serviço ela teria prestado para
justificar os valores recebidos. Até o momento, nenhuma das perguntas centrais
foi respondida pelo senador ou por sua defesa. O caso segue sob relatoria do
ministro André Mendonça no STF.

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