André Mendonça fez na terça-feira (16) o alerta mais
grave já registrado por um ministro do STF sobre risco à própria vida. Após
detalhar a estrutura criminosa do caso Banco Master — com sicário, policiais
federais corrompidos, bicheiros e fuzis de grosso calibre —, o relator disse à
Segunda Turma: "Talvez seja muito simples acabar com a investigação. Basta
alguns desses desconhecidos atentar contra a integridade física do
relator."
O pronunciamento veio em resposta ao voto de Gilmar
Mendes, que havia comparado a condução do caso aos métodos da Lava-Jato.
Mendonça rejeitou a comparação. "Não é Lava-Jato. Esse é o caso que nós
estamos julgando", repetiu mais de uma vez, enquanto lia mensagens em que
Daniel Vorcaro coordenava com um sicário e empresários do jogo do bicho a
intimidação de testemunhas em Angra dos Reis.
A Polícia Federal alertou Mendonça de que o grupo
investigado ainda não foi totalmente mapeado. Segundo o relatório parcial dos
celulares apreendidos, o bicheiro Emanuel Mendes Rodrigues lidera uma
organização "fortemente armada, com fuzis, veículos blindados e recursos
típicos de organizações criminosas" — e propaga discursos em favor da
morte de policiais militares que não colaboram com ele.
Mendonça admitiu que, no cenário atual, "o polo
mais frágil" é ele próprio. Mas completou: "É preciso ter
coragem."

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