Nesta quinta-feira (18), o presidente do Senado,
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manifestou solidariedade ao senador Jaques
Wagner (PT-BA), alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela
Polícia Federal. O gesto acontece exatamente dois dias depois de Wagner ter
subido ao plenário da Casa para defender Alcolumbre de acusações publicadas
pela revista Veja, que atribuiu a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco
Master, a revelação de um suposto pagamento de US$ 30 milhões, o equivalente a
cerca de R$ 155 milhões, ao presidente do Congresso Nacional.
Na sessão de terça-feira (16), senadores de governo
e oposição se solidarizaram com Alcolumbre, e Wagner foi um dos mais enfáticos
em sua defesa, classificando as acusações como "leviandade" e
criticando os vazamentos da delação.
O que liga os dois senadores, além da solidariedade
mútua, é a mesma reportagem. A Veja publicou que Vorcaro, em sua proposta de
delação premiada apresentada à PGR, citou tanto Wagner quanto Alcolumbre como
beneficiários de repasses ligados ao Banco Master. No caso de Alcolumbre, o
suposto pagamento de US$ 30 milhões teria sido intermediado por Augusto
Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, e estaria vinculado a apoio a demandas do
banco. No caso de Wagner, as acusações envolvem o recebimento de um apartamento
de R$ 2,45 milhões em Salvador, repasses a empresas familiares e atuação
legislativa em favor do Master. A PF, que rejeitou a proposta de delação de
Vorcaro por considerar as informações insuficientes, já tinha elementos
próprios que resultaram na operação desta quinta.
A 9ª fase da Compliance Zero cumpriu 18 mandados de
busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF, em
endereços na Bahia, São Paulo e Distrito Federal. Wagner é apontado como
"suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas",
conforme a BBC Brasil. A PF apreendeu 49 mil dólares em imóvel ligado ao
senador e identificou mensagens que demonstram "elevado grau de confiança
pessoal" entre Wagner e Augusto Lima, segundo O Globo. A investigação
detalha que o senador atuou em pelo menos três frentes legislativas favoráveis
ao Master: crédito consignado, ampliação do FGC e fiscalização da venda do
banco ao BRB.
A dinâmica de defesa mútua entre Wagner e
Alcolumbre, ambos citados na mesma reportagem e na mesma delação rejeitada,
cria um cenário político delicado. Se a solidariedade institucional é prática
comum no Senado, a coincidência de que os dois nomes mais vocais na defesa um
do outro sejam justamente os apontados por Vorcaro levanta a pergunta
inevitável: até que ponto a blindagem política resistirá ao avanço das
investigações, que já saíram do terreno das delações vazadas para o campo dos
mandados judiciais e das apreensões concretas.

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