O governo Lula bloqueou R$ 382 milhões do orçamento
das agências reguladoras em 2026, valor 745% maior que o congelado em todo o
ano de 2025, quando os cortes somaram R$ 42,2 milhões.
Segundo dados do Ministério do Planejamento obtidos
pelo Metrópoles, neste ano o ajuste ocorreu exclusivamente por meio de
bloqueios orçamentários. Em 2025, houve tanto bloqueios quanto
contingenciamentos.
Veja os órgãos afetados pelo bloqueio em
2026:
- Agência
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), R$ 55,9 milhões;
- Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel), R$ 51,8 milhões;
- Agência
Nacional de Vigilância Sanitária* (Anvisa), R$ 46,2 milhões;
- Agência
Nacional de Águas e Saneamento Básico (Ana), R$ 44,9 milhões;
- Agência
Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), R$ 38,1
milhões;
- Agência
Nacional de Energia Elétrica* (Aneel), R$ 34, 3 milhões;
- Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS), R$ 31,1 milhões;
- Agência
Nacional de Aviação Civil * (Anac), R$ 24 milhões;
- Agência
Nacional de Mineração * (ANM), R$ 22,6 milhões;
- Agência
Nacional de Transportes Aquaviários * (Antaq), R$ 14,2 milhões;
- Agência
Nacional do Cinema * (Ancine), R$ 8,2 milhões;
- Agência
Nacional de Proteção de Dados * (ANPD), R$ 6,4 milhões.
*Agências reguladoras com autonomia
administrativa.
Diante do aumento dos cortes, o Senado aprovou um
projeto que proíbe o contingenciamento de recursos das 12 agências reguladoras
federais. A proposta recebeu apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre,
que defendeu a importância dos órgãos para a regulação da economia.
Entre as entidades mais afetadas estão a ANTT, com
bloqueio de R$ 56,9 milhões, e a Anatel, com R$ 51,8 milhões congelados.
Na Câmara, parlamentares articulam a votação rápida
do projeto. O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) afirma que a medida não
cria novas despesas, mas garante a execução de recursos já aprovados pelo
Congresso.
Agências e entidades do setor criticaram os cortes.
A Anac alertou que poderia reduzir em até 40% as ações de fiscalização,
enquanto o Comitê das Agências Reguladoras Federais afirmou que os bloqueios
comprometem atividades de fiscalização, monitoramento e acompanhamento de
contratos em áreas estratégicas.
Em nota, 47 entidades ligadas ao setor defenderam a
derrubada de vetos e afirmaram que a falta de previsibilidade orçamentária pode
prejudicar serviços essenciais e investimentos em infraestrutura.
Apesar das críticas, o governo recompôs parte dos
recursos da ANAC, ANTAQ e ANTT por meio de decreto publicado em junho.
Procurado pela reportagem do Metrópoles, o
Ministério do Planejamento não quis comentar a diferença entre o congelamento
nos Orçamentos entre 2025 e 2026.

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