O Rio Grande do Norte teve o menor crescimento no
estoque de empregos formais do Nordeste, em fevereiro de 2026, frente ao mesmo
mês do ano anterior: 2,91%, abaixo da média nacional de 3,62%. O estado
registrou estoque de 764.141 postos formais em fevereiro deste ano, e 742.513
em 2025. Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) Mensal foram
divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quarta-feira (24),
abrangendo tanto o setor privado quanto o público.
Depois do RN, vêm os estados de Alagoas (5,24%),
Pernambuco (5,37%), Bahia (5,82%), Maranhão (6,54%), Paraíba (6,69%), Sergipe
(7,50%), Ceará (7,60%) e Piauí (7,96%). No mercado de trabalho potiguar, a
remuneração real média em dezembro de 2025 foi de R$ 3.613,58.
Na avaliação do economista Helder Cavalcanti, os
dados mostram que o mercado formal de trabalho do RN continua em trajetória de
crescimento, ainda que em ritmo moderado. “Esse resultado demonstra resiliência
da economia potiguar, especialmente em um ambiente nacional ainda marcado por
juros elevados, crédito restrito e desaceleração de alguns setores produtivos”,
diz.
Segundo ele, o desempenho inferior do RN ante demais
estados nordestinos está relacionado a fatores estruturais da economia potiguar
e à falta de grandes investimentos.
“O RN possui uma base produtiva menos diversificada
do que estados como Bahia, Pernambuco e Ceará, que contam com parques
industriais maiores, logística mais robusta e mercados consumidores mais amplos.
Setores importantes para o estado, como petróleo, comércio e parte dos
serviços, apresentaram crescimento mais moderado ao longo do período”, explica
o economista.
Em fevereiro, o estado fechou 2.221 postos de
trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Três
dos cinco grupamentos de atividades econômicas tiveram resultado negativo no
mês: agropecuária (-2.152), indústria (-1.012) e construção (-92). Por outro
lado, comércio criou 175 novas vagas, e serviços criou 861 postos de trabalho.
Regionalmente, o estoque de emprego formal entre
fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026 cresceu no Norte (6,51%), Nordeste
(6,15%), Centro-Oeste (4,39%), Sudeste (2,57%) e Sul (2,15%). Os estados com
maior crescimento em suas regiões foram Amazonas (7,52%), Piauí, Distrito
Federal (7,71%), Minas Gerais (4,00%) e Paraná (2,51%).
O mercado de trabalho formal brasileiro registrou
crescimento de 3,6% em um ano e alcançou 62,2 milhões de vínculos ativos em
fevereiro de 2026, segundo dados da nova Rais Mensalizada. O avanço foi
impulsionado pelo aumento do número de servidores públicos.
Os dados revelam ainda forte concentração de
empregos formais em algumas cidades. Natal detinha cerca de 44,9% de todos os
empregos formais do estado em fevereiro de 2026 (343.192). Somados, os estoques
de Natal, Mossoró e Parnamirim totalizaram 479.355 postos - cerca de 62,7% do
estoque total do RN.
Por outro lado, entre as cidades com atividades econômicas mais limitadas em
termos de vínculos formais, destacam-se Jundiá (219), Viçosa (218) e Paraná
(212).
As cidades com mais empregos formais reúnem
empresas, indústrias, serviços especializados, comércio estruturado e órgãos
públicos. Em cidades menores, o resultado “não significa necessariamente
ausência de atividade econômica, mas evidencia uma forte dependência do setor
público, da agricultura familiar, da informalidade e de pequenos negócios
locais”, explica Helder Cavalcanti.
“Do ponto de vista social, quanto maior a
concentração dos empregos formais, maior tende a ser a concentração de renda e
de oportunidades”, acrescenta.
A capital potiguar exerce o papel de centro
administrativo, econômico, financeiro e de serviços do estado. “É natural que
uma capital concentre empregos, mas o percentual de 44,9% mostra que o desenvolvimento
econômico do RN ainda é excessivamente centralizado”, avalia Helder Cavalcanti.
“O desafio para os próximos anos é fortalecer polos
regionais como Mossoró, Caicó, Assú, Currais Novos, São Gonçalo do Amarante e
Macaíba, criando condições para que empresas se instalem e gerem empregos de
qualidade fora da capital”, diz o economista e educador financeiro
comportamental.

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