sexta-feira, 19 de junho de 2026

Raquel Landim: 'Como Vorcaro, um banqueiro de uma instituição média, conseguiu ir tão longe?'

 


Doze anos depois do início da Lava Jato, Daniel Vorcaro, do Banco Master, substituiu Marcelo Odebrecht, da antiga Odebrecht, e Joesley Batista, da JBS, no noticiário dos escândalos de corrupção do Brasil.

Assim como naquela época, as investigações não poupam nenhum lado do espectro político. Atingiram o senador Jaques Wagner (PT-BA), que é amigo próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.

As suspeitas bateram no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Chegaram na cúpula do Congresso, respingando no presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos -PB), e no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil - AP).

Mas há diferenças importantes. Boa parte do dinheiro distribuído por Odebrecht e Joesley era caixa 2 de campanha, principalmente do PT, mas não só. Dizia-se que o financiamento público resolveria o problema.

Em 2026, o fundão eleitoral chega a R$ 4,96 bilhões, com PL, PT e União Brasil abocanhando as maiores fatias. No entanto, a Polícia Federal descobre evidências de que Vorcaro estava distribuindo dinheiro a rodo em Brasília.

Trata-se de corrupção pura e simples. Para Wagner, a suspeita é de tratativas para a compra de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador. Já Ciro recebia pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e meio milhão.

São apartamentos para lá e para cá, viagens de luxo na Europa e em resorts caríssimos, caronas em jatinhos, festas nababescas, jantares em restaurantes estrelados com carne embalada a ouro.

Além disso, os valore superam e muito aqueles distribuídos individualmente nas épocas de mensalão ou petrolão, quando poucas vezes passavam da casa do milhão.

Segundo reportagem da revista Veja, Alcolumbre teria recebido a estonteante quantia de R$ 155 milhões - algo ainda a se confirmar. Ele nega que tenha recebido qualquer valor de Vorcaro e disse que vai processar a revista.

Flávio pediu R$ 134 milhões para financiar o filme Dark Horse, a autobiografia do seu pai. Apenas R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos, ainda assim muito dinheiro para um filme.

Outro ponto que chama a atenção é ter cruzado as fronteiras do Legislativo e atingido o Judiciário. O contrato com o escritório da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes chega a R$ 129 milhões. Já as transações com as cotas do resort do colega Dias Toffoli atingem R$ 35 milhões.

É tanto dinheiro, em tantas frentes, que espanta como um banqueiro de uma instituição média conseguiu ir tão longe. Seria Vorcaro mesmo o cabeça e beneficiário principal de todo o esquema?

Raquel Landim - Estadão

 

 

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