O ministro aposentado do STF Luís Roberto Barroso
defendeu os decretos do governo federal que atualizaram as regras do Marco
Civil da Internet e afirmou que a polarização política tem prejudicado o debate
sobre regulação das plataformas digitais.
Durante participação no XIV Fórum de Lisboa, em
Portugal, Barroso rejeitou críticas de censura às novas medidas. “É uma
importantíssima decisão regulando plataformas digitais de uma maneira
extremamente moderada, que nem vagamente se aproxima de censura”, afirmou.
Os decretos estabeleceram novas exigências para
plataformas digitais, como canal de denúncias, representante legal no Brasil e
mecanismos de proteção contra violência digital, especialmente contra mulheres.
As novas regras também permitem, em situações
específicas, a remoção de conteúdos considerados criminosos sem necessidade de
ordem judicial prévia.
Segundo Barroso, a estrutura central do Marco Civil
permanece mantida: a regra geral continua sendo a responsabilização das
plataformas apenas em determinadas situações legais e a retirada de conteúdos
mediante decisão judicial.
O ministro aposentado afirmou, porém, que crimes
graves exigem resposta rápido, como pornografia infantil, terrorismo e
conteúdos de instigação ao suicídio, defendendo que esse tipo de material possa
ser removido após simples notificação, sem necessidade de aguardar decisão da
Justiça.
Barroso disse ainda que o debate sobre regulação
digital acabou contaminado pela disputa ideológica. “Não importa se alguém
é liberal, conservador ou progressista. A polarização no mundo levou a uma
certa perda de senso comum que nós precisamos resgatar”, afirmou.

Nenhum comentário:
Postar um comentário