terça-feira, 23 de junho de 2026

Operação prende empresário suspeito de liderar esquema de fraude de R$ 72 milhões no RN

 



Um empresário apontado como chefe de um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal foi preso nas primeiras horas desta terça-feira (23), durante a Operação Emirados. A investigação apura fraudes que teriam causado prejuízo de R$ 72,9 milhões aos cofres públicos do Rio Grande do Norte.

Segundo as investigações, o empresário tem atuação e influência no ramo de postos de combustíveis na Grande Natal e liderava um arranjo voltado à ocultação de patrimônio. O grupo também é investigado por associação criminosa e falsidade ideológica.

Além do mandado de prisão, foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão pessoal e domiciliar. A operação também aplicou 75 medidas cautelares diversas da prisão. As ordens judiciais foram cumpridas em Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante.

No âmbito patrimonial, a Justiça determinou o sequestro de 18 imóveis e de uma lancha. Também houve bloqueio e indisponibilidade de bens e valores no montante de R$ 72.922.514,57, quantia equivalente ao passivo tributário atribuído ao grupo econômico investigado.

Na casa do empresário apontado como chefe do esquema, foram apreendidos mais de R$ 90 mil, além de dólares, euros, joias, documentos, celulares e computadores.

De acordo com a apuração, o grupo utilizava mecanismos para ocultar bens e valores obtidos por meio de ilícitos fiscais. O principal investigado registrava propriedades e veículos em nome de parentes e funcionários de confiança, que atuariam como laranjas.

As investigações também apontam que o empresário exercia controle real sobre empresas de fachada, como distribuidoras, bares e postos de combustíveis, mesmo sem constar oficialmente nos contratos sociais.

Entre as fraudes identificadas estão a omissão de entrada de mercadorias, a falta de emissão de notas fiscais e a criação de empresas em série em nome de terceiros. O esquema também teria usado pessoas de baixa renda e beneficiários de programas assistenciais federais como sócios formais para ocultar os verdadeiros donos dos negócios.

As empresas vinculadas ao grupo acumulam juntas R$ 72.922.514,57 inscritos na Dívida Ativa do Estado. Os débitos estão concentrados principalmente no não recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Duas distribuidoras de alimentos respondem pelas maiores parcelas da dívida fiscal.

Um dos pontos que motivou a abertura de uma linha específica de investigação foi a compra de um carro importado de luxo avaliado em cerca de R$ 800 mil. O veículo foi registrado em nome de um funcionário com remuneração de R$ 1.954, valor considerado incompatível com a capacidade financeira declarada.

O mesmo funcionário também aparecia como comprador formal de uma residência de alto padrão em condomínio fechado, com valor declarado de R$ 2.558.000. Segundo as investigações, o imóvel era usado como moradia real do empresário apontado como coordenador do esquema.

A operação foi deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e pela Polícia Civil. A apuração é conduzida pela 56ª Promotoria de Justiça de Natal, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Delegacia Especializada na Repressão à Lavagem de Dinheiro (DRLD). Ao todo, quatro promotores de Justiça, nove servidores do MPRN e mais de 120 policiais civis, entre delegados e agente, participaram da Operação.

 

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