Entre as suspeitas que levaram a Polícia Federal a
deflagrar a 9ª fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (18) contra
o senador Jaques Wagner (PT-BA), uma das mais sensíveis envolve o núcleo
familiar do parlamentar. Segundo reportagens publicadas ainda no início de
junho pelo Diário 360 e por outros veículos que repercutiram informações da
delação de Vorcaro e das investigações da PF, a nora de Wagner teria recebido
ao menos R$ 11 milhões, podendo chegar a R$ 12 milhões, do Banco Master por
meio de uma empresa ligada à família. A PF investiga se a estrutura empresarial
foi utilizada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto
do esquema fraudulento do Master.
A decisão do ministro André Mendonça, do STF, que
autorizou a operação, descreve Wagner como "suposto beneficiário central
das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor
de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições
patrimoniais", conforme reproduziu a BBC Brasil. Além dos repasses à
empresa familiar, a PF identificou a compra de um apartamento de R$ 2,45
milhões no empreendimento Poème Horto, em Salvador, cujos dados teriam sido repassados
diretamente por Wagner a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro. O Valor
Econômico revelou que a BN Financeira, empresa ligada à filha do senador,
também foi alvo da operação e teve suas atividades econômicas e financeiras
suspensas por determinação judicial, apesar de não ser regulada pelo Banco
Central.
A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na
Bahia, São Paulo e Distrito Federal, incluindo endereços do enteado de Wagner,
Eduardo Sodré Martins. Agentes apreenderam 49 mil dólares em imóvel ligado ao
senador, conforme o Estadão. O O Globo revelou que mensagens entre Wagner e
Augusto Lima demonstram "elevado grau de confiança pessoal", com
registros de conversas sobre valores de imóveis, ingressos para shows em Los
Angeles e uso de aeronaves ligadas ao Master. A contrapartida investigada seria
a atuação do senador em propostas legislativas de interesse do banco, como a
"Emenda Master", a ampliação do FGC e o crédito consignado.
O envolvimento de familiares em estruturas
empresariais que teriam servido de canal para recebimento de vantagens é um dos
pontos mais graves da investigação. A prática, já conhecida de outros
escândalos políticos brasileiros, ganha contornos especialmente delicados
quando o parlamentar em questão é o líder do governo no Senado, um dos
principais articuladores de Lula no Congresso. Se confirmadas, as suspeitas
indicam que a relação entre Wagner e o Banco Master ia muito além de contatos
institucionais, alcançando o patrimônio familiar de forma sistemática e
estruturada.

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