O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal),
ministro Edson Fachin, determinou na última quinta-feira (25) que o ministro
André Mendonça seja o relator do pedido de investigação relacionado ao
financiamento do filme Dark Horse, inspirado na trajetória política do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão concentra mais um processo de
grande repercussão no gabinete do ministro, colocando-o como um dos magistrados
mais empoderados do STF em ano eleitoral.
Inicialmente nas mãos de Alexandre de Moraes, o caso
foi redistribuído a Mendonça após a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a
área técnica do Supremo apontarem conexão entre as suspeitas sobre o filme e as
investigações relacionadas ao Banco Master.
O senador e pré-candidato à presidência da
República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já admitiu ter pedido dinheiro a Daniel
Vorcaro, dono do Master, para o filme. O pedido para abertura de uma
investigação busca entender se de fato esses valores foram direcionados à
produção cinematográfica ou se foram desviados, além da participação de Eduardo
Bolsonaro na administração dessa verba.
O inquérito que investiga um possível esquema de
fraudes financeiras no Banco Master é um dos processos mais relevantes no
gabinete de Mendonça. O ministro foi sorteado relator do caso em fevereiro,
herdando-o de Dias Toffoli, que negociou com os colegas a saída da relatoria.
Outro caso sob a relatoria de Mendonça é o inquérito
que investiga fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A apuração
mira desvios de aposentadorias e pensões de idosos nos governos de Jair
Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As investigações têm potencial de afetar integrantes
do governo Lula, a candidatura de Flávio Bolsonaro, além de partidos e
políticos do centro e da oposição no Congresso Nacional.
A CNN já mostrou, por exemplo, que os dois
escândalos se conectam em alguma medida. Informações obtidas pela PF (Polícia
Federal) no caso Master passaram a subsidiar linhas de investigação da CPMI do
INSS.
O avanço das investigações da PF, sob a condução de
Mendonça, em um ano eleitoral, tem ampliado a preocupação da classe política de
Brasília com as possíveis revelações que possam vir à tona.
No caso do Banco Master, a preocupação é ainda maior
diante da possibilidade de que Daniel Vorcaro ou aliados assinem um acordo de
delação premiada que possa entregar nomes de diferentes poderes e polos da
política. No caso de Vorcaro, a PGR e a PF negou as duas propostas de delação
apresentadas pela defesa do ex-banqueiro.
Conforme mostrou a CNN, Mendonça decidiu manter
parte da equipe do gabinete de prontidão durante o recesso do Judiciário, que
começa na próxima semana. A avaliação é de que o inquérito relacionado ao
Master tem evoluído, com novas frentes de investigação e a expectativa de novos
pedidos ao Supremo.
CNN Brasil

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