Mensagens enviadas a um chatbot de inteligência
artificial se tornaram a principal evidência contra um agricultor de 36 anos,
preso no Espírito Santo por planejar o assassinato do próprio filho, de 8 anos.
O homem, que não teve o nome divulgado pela polícia, foi detido na zona rural
de São Gabriel da Palha, no Noroeste do estado, às vésperas da data em que o
crime estaria programado para acontecer.
As próprias conversas do suspeito com o ChatGPT,
ferramenta a empresa americana OpenAI, expuseram o plano. A OpenAI repassou os
dados ao FBI, que em 16 de junho comunicou as autoridades brasileiras. O
Ministério da Justiça recebeu as informações e as encaminhou à Delegacia
Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) do Espírito Santo,
que deflagrou a operação de prisão três dias depois.
Segundo relatado pela polícia em coletiva de imprensa
realizada na quinta-feira (25/6), o suspeito usava o ChatGPT como uma espécie
de confidente. A motivação declarada nas conversas era financeira: o homem
queria se livrar do pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira.
O plano, no entanto, não se limitava à criança. O
homem também registrou ao chatbot a intenção de realizar atentados contra
escolas, igrejas e autoridades públicas, com o objetivo de provocar o maior
número de vítimas possível.
A cadeia que levou à prisão partiu da própria
infraestrutura digital usada pelo suspeito. A OpenAI identificou as conversas e
forneceu os dados ao FBI, que acionou o Ministério da Justiça brasileiro em 16
de junho. A informação desceu pela cadeia institucional até a DRCC, que em três
dias obteve mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão e coordenou a
detenção com apoio da Delegacia de Polícia de São Gabriel da Palha.
Nas mensagens, em que “abria a mente” para a IA, o
suspeito afirmou estar na posse de uma arma, corda e cianeto, composto químico
altamente tóxico utilizado principalmente na mineração e em processos
industriais. O homem também afirmava ter feito contato com o pistoleiro para
poder se encarregar do homicídio do filho de 8 anos.
O agricultor foi abordado quando saía de casa para
trabalhar, em 19 de junho, dia anterior ao planejado para o assassinato,
conforme divulgado pela polícia. Ele nega qualquer intenção de matar o filho ou
cometer outras ações criminosas. O telefone dele foi apreendido e deve ser
periciado em tentativa de identificar quem seria o pistoleiro mencionado pelo
suspeito.
O suspeito foi autuado com base em três
tipificações: ameaças, tentativa de homicídio e incitação ao crime. O
indiciamento formal, porém, ainda não ocorreu. A investigação segue aberta
enquanto os materiais apreendidos na busca e apreensão passam por análise
pericial.
O Tempo

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