Um grupo de extorsão cibernética afirmou na
terça-feira (16) ter roubado mais de 1 terabyte (equivalente a 1 milhão de
megabytes) de dados da gigante farmacêutica e disse que está vendendo partes
dos dados obtidos na invasão após fracassar na tentativa de extorquir US$ 25
milhões (R$ 126,82 milhões) da empresa.
O FulcrumSec, que surgiu em outubro de 2025, afirmou
em uma longa mensagem publicada em seu site que passou mais de dois meses nas
redes da Novo Nordisk roubando dados.
O grupo informou que os dados incluíam código-fonte
da empresa, informações proprietárias sobre medicamentos lançados e não
lançados, dados de ensaios clínicos, dados de funcionários, médicos e
pacientes, informações relacionadas às instalações de processamento da empresa
e sobre modelos internos de IA.
Um porta-voz da Novo Nordisk afirmou por email que a
empresa "está ciente das alegações de que dados supostamente copiados
externamente sem autorização de nossos sistemas foram publicados online.
Levamos este assunto a sério e mantemos as operações contínuas de nossas
principais plataformas. Estamos em contato com as autoridades
competentes".
O representante do FulcrumSec também disse que o
grupo preferiria não vender os dados, "já que disponibilizá-los
abertamente é um impedimento mais eficaz para que futuras empresas evitem
pagar".
A empresa dinamarquesa divulgou um incidente de
segurança cibernética em 11 de junho, que segundo ela envolveu acesso não
autorizado a um número limitado de sistemas internos de TI, incluindo acesso a
determinados dados pessoais.
O FulcrumSec disse que, após a Novo Nordisk se
recusar a pagar US$ 25 milhões, estava "explorando vendas privadas"
para alguns dos dados relacionados a determinados medicamentos e outras
informações internas.
Thomas Willkan, chefe de pesquisa da empresa de
segurança cibernética Lab-1, que acompanhou de perto o FulcrumSec, disse que o
grupo hacker é "geralmente bastante legítimo tanto em termos de suas
capacidades quanto de suas alegações".
O FulcrumSec disse que não compartilharia alguns dos
dados que roubou, incluindo informações sobre milhares de funcionários e
médicos da empresa, e aproximadamente 11,5 mil pacientes que foram
identificados por pseudônimos de ensaios clínicos.
O grupo informou que também reteria dados
relacionados à tecnologia operacional e software usados para interagir com
sensores e maquinário nas instalações de produção da Novo Nordisk como parte de
sua "estratégia de redução de danos".
A Novo Nordisk é conhecida por seus tratamentos para
obesidade e diabetes, notadamente Wegovy e Ozempic.
O DataBreaches.net, um blog focado em segurança
cibernética, ransomware e extorsão de dados, relatou em 15 de junho que o
FulcrumSec disse ao blog em 14 de junho que obteve acesso à rede da Novo
Nordisk em março e compartilhou supostas correspondências com a Novo Nordisk a
partir de 1º de junho que incluíam uma lista de mais de 700 mil arquivos,
totalizando aproximadamente 1,3 terabyte de dados.
O VX-Underground, um site de pesquisa e repositório
de malware, relatou separadamente na segunda-feira (15) sobre um hacker não
identificado que teria comprometido a Novo Nordisk. O FulcrumSec disse em sua
mensagem que seu ataque é separado.
Folha de São Paulo

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